Compreenda a seletividade no mercado de trabalho Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco

A autora reflete sobre a empregabilidade de idosos, negros e mulheres. Lorena Morais analisou as diferenças das condições de trabalho executadas por diferentes grupos sociais. "A má distribuição de renda vem do modelo de industrialização, da falta de investimentos sociais e também da inflação que nosso país sofre constantemente", ela argumenta.

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Compreenda a seletividade no mercado de trabalho

O processo histórico brasileiro sempre foi excludente e trouxe para os parâmetros da sociedade atual uma seletividade preconceituosa e ignorante, que influenciou diretamente no desenvolvimento sócio-econômico da nação.

Nesse contexto de seletividade está inserido o mercado de trabalho, que é bastante concorrido e mais acessível aos qualificados profissionalmente. Mas o que tem o negro, a mulher e o idoso de comum na inserção desse mercado? Quais dificuldades enfrentadas por esses grupos na disputa pelo emprego?

O maior problema está nas diversas discriminações sofridas por cada grupo, mas que acarreta numa mesma consequência: o desemprego. O negro sofre a repressão racial originária do passado, ocupando cargos menos qualificados e de baixa remuneração, como nos setores de construção civil e serviços domésticos, que são completamente instáveis. Na distribuição do trabalho, dois negros equivalem ao trabalho de um branco. A vulnerabilidade no trabalho - como a falta de carteira assinada e direitos sociais, o trabalho por conta própria, jornada extensa - causa grandes contrastes que são refletidos principalmente na taxa de desemprego.

A mulher é vítima de uma sociedade machista, que pregava o trabalho doméstico e submissão ao homem; porém com as inovações tecnológicas ela criou mais autonomia, diminuindo a fertilidade e elevando o nível de escolaridade. A partir de então adentrou no mercado trabalhista, mesmo assim ganhando menos que o homem e ocupando cargos específicos - setores de serviço como cabeleireiras, manicures, serviços de saúde e doméstico. Ela também foi excluída da participação no processo decisório de uma empresa, por exemplo - que pode significar fuga de idéias. Outra dificuldade vem acompanhada da falta de infra-estrutura, como creches e lavanderias, para a permanência no emprego.

Os idosos já sofrem preconceitos pela sua idade e com competitividade do mercado comercial, algumas empresas vêm dispensando pessoas mais velhas - tanto de idade como de tempo de serviço - para por em seus lugares jovens dinâmicos, como o intuito de alavancar o âmbito de trabalho. Mas essa medida faz com que a empresa perca características próprias do serviço e a identidade que o empregado oferece.

A má distribuição de renda vem do modelo de industrialização, da falta de investimentos sociais e também da inflação que nosso país sofre constantemente. Como proposta, o governo deveria criar projetos de alcance a esse público - como cotas para negros, mulheres e pessoas mais velhas nas empresas - e investir principalmente na educação, para criar possibilidades da inserção dessas pessoas no mercado comercial e conseqüentemente alterar o modelo sócio-econômico no país.Lorena Morais

Estudante do curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Trabalha como Agente Comunitária de Saúde pela Prefeitura Municipal de Cachoeira e presta auxílio na apresentação de um programa na emissora de Rádio Comunitário Magnificat FM (87.9).

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