Ancoragem: vinculando tudo a qualquer coisa Ji-Paraná, Rondônia

Aprenda as tecnicas da ancoragem onde se vincula tudo a qualquer coisa. Você pode estar sendo controlado externamente devido a esta capacidade. Entenda mais no artigo abaixo.

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Ancoragem: vinculando tudo a qualquer coisa

Você pode estar sendo controlado externamente devido a esta capacidade.

Você talvez já tenha ouvido uma música e sentido alguma emoção especialmente agradável. Ou tenha escutado algum timbre de voz que o incomodou. Pode ser que se emocione com uma certa palavra, ouvida ou pensada, ou se irrite às vezes ao ver alguma coisa aparentemente insignificante.

O que você, eu e todos temos é uma capacidade de criar associações entre estímulos e processos internos, sejam emocionais ou mentais, e depois reproduzi-los quando na presença dos mesmos estímulos. Este é o mesmo mecanismo do aprendizado de palavras e da linguagem em geral. Se eu disser “barata”, você provavelmente verá internamente a imagem de uma. Se você já teve alguma experiência desagradável com baratas, pode ser que a palavra lhe provoque sensações relacionadas. Já se eu lhe disser uma palavra desconhecida, como “agorizar”, nenhuma representação interna é ativada: você não “entendeu”. Quando há uma ligação estabelecida, dizemos que o estímulo funciona como uma âncora.

Nossa capacidade de ancorar é fenomenal, tanto com relação ao estímulo quanto à resposta. Os estímulos podem ser os mais variados: imagens, sons, sensações, palavras, diferenças. Já vi pessoas que ancoraram sensação de frio a diferenças de temperatura. Elas sentem frio não só pela baixa temperatura, mas também pela sua queda. O estímulo pode ser também o rosto de uma pessoa, um piscar de olhos e até um levantar de sobrancelha, pra não falar de objetos, figuras, latidos, cores e qualquer coisa que possamos distinguir. Também pode ser uma frase, como por exemplo “É possível! Sou capaz! eu mereço!”.

Já a resposta ao estímulo pode ser um pensamento, uma emoção ou uma mudança completa de estado, afetando processos físicos, mentais e emocionais.

Uma âncora pode ser estabelecida de várias maneiras; a repetição é uma delas. Experimente repetir algumas vezes a seqüência: por o dedo na ponta do nariz/lembrar do rosto sorridente de uma pessoa de que goste. Fez? Agora ponha o dedo na ponta do nariz, o que vem em seguida? (aguarde um pouco e repita o estímulo, para um melhor teste).

As emoções podem provocar a instalação de âncoras bem rapidamente. Você já levou um susto com alguém atrás da porta, e quando passou de novo pela porta lembrou do que houve? Suponha que você viveu um inesquecível caso de amor à beira da praia, ao rumor das ondas. Da próxima vez em que vir ou ouvir ondas, vai se lembrar do que viveu e possivelmente sentir tudo de novo. E pode ser também que só de imaginar cenas de praia isto já aconteça! (experimente imaginar-se pondo o dedo na ponta do nariz…)

Âncoras não precisam ser necessariamente “lógicas”. Anthony Robbins, no livro Poder sem Limites, conta que vivenciou uma experiência desagradável no saguão de um hotel por conta de algumas malas. Ao subir para o quarto, notou que estava irritado com a esposa, aparentemente sem motivo. Mas logo descobriu que o motivo era ela estar presente no contexto onde sentiu as emoções! Você ja pensou se alguém se irrita com o barulho dos filhos e cria uma âncora de irritação com toda a categoria “crianças”?

A ancoragem não é um mecanismo de causa e efeito ou ação e reação puro. Se eu lhe disser “bacia”, que é uma palavra-âncora com vários significados, você terá várias escolhas à disposição. Se alguém lhe dá um beliscão pode ser que você tenha as escolhas de revidar ou deixar pra lá. Eventualmente a pessoa pode não ter escolhas: tem gente que se for chamado de “moleque” com um certo tom de voz sempre terá uma reação agressiva. Nesse caso pode-se até dizer que é causa e efeito. Mas o normal é a âncora agir induzindo o efeito, isto é, há uma probabilidade de acontecer o efeito mas não há certeza total.

Além disto, âncoras não duram para sempre. A tendência é, se não foram ativadas, irem diminuindo sua intensidade e até desaparecer.

Aplicações

A aplicação imediata do conhecimento do processo de ancoragem é reconhecer as âncoras, em especial quando devido a elas ficamos em estados que não queremos. Uma pessoa que reage a uma barata só de vê-la, se souber que há uma âncora em ação (algo do passado), pode perceber que aquela barata do presente está longe e não há perigo. Perceber que estamos reagindo negativamente ao tom de voz de uma pessoa é certamente melhor do que achar que estamos reagindo à pessoa inteira.

Podemos usar as âncoras às quais as pessoas estão habituadas. É mais provável acalmar alguém falando em um tom de voz calmo do que gritando. Se uma pessoa ancorou tensão ao verbo relaxar, não irá adiantar pedir a ela para fazer isto, pode ser melhor mostrar-lhe uma imagem bonita de um por-do-sol ou massagear-lhe as costas. Talvez você mesmo já tenha visto pessoas que ao ouvir um pedido em um certo tom de voz, simplesmente não conseguem dizer não!

Já vi mães que quando os filhos brigam, colocam-nos abraçados durante algum tempo; pense no potencial de criação de âncoras dessa situação. Já Virgínia Satir, uma psicólogia famosa pelos resultados que conseguia com seus pacientes, ao tratar casais primeiro fazia com que eles se lembrassem de bons momentos que viveram juntos e de bons sentimentos, para então fazer com que olhassem um para o outro, ancorando aquele estado ao rosto de cada um.

Outra aplicação é o uso ou criação deliberada de âncoras para alguma finalidade. Por exemplo, quando estiver bem animado, posso ouvir a música We are the champions. Um dia em que acordar meio sonolento, posso ouvir a música para me animar. Uma vez fiz um treinamento em que foram despertadas muitas boas emoções; enquanto estava no estado, molhei o rosto com água (o que naturalmente já me dá muito prazer) para poder ativar aquele estado depois. Você pode também experimentar entrar em relaxamento e pronunciar palavras como “paz” e “alegria”, ativando em si essas experiências.
É possível também criar âncoras deliberadamente usando a imaginação e o corpo; veja uma estratégia de ancoragem na seção Inteligência Emocional.

E quando você sentir água na boca ao ver uma propaganda de refrigerante ou creme dental, lembre-se de que muitos publicitários também conhecem essa sua capacidade!

Virgílio Vasconcelos Vilela

Conteúdo disponível em livros variados de PNL

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