Analise o processo histórico da avaliação Luziânia, Goiás

Examine a evolução dos testes de conhecimento. O pedagogo João do Rosário relata os meios de avaliação governamentais e a sua função na educação e processos seletivos. "Devemos entender a avaliação como termômetro da educação", destaca o autor.

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Analise o processo histórico da avaliação

INTRODUÇÃO

Este trabalho não almeja considerar todos os temas e definições em "Avaliação Escolar". Trata-se de uma pesquisa concisa sobre o assunto, porém analisada com muita dedicação e sensatez onde, alunos, mestres e responsáveis possam: ler, avaliar e talvez ter como parâmetro, o assunto contido neste trabalho.

Em virtude da disciplina de "Monografia", realizamos este trabalho, de forma prazerosa e uma vez que, esta disciplina exige que nós, educadores, escolhamos e desenvolvamos um tema de nossa preferência.

O tema "Avaliação Escolar". Foi escolhido por nós, devido ao assunto que é polêmico e complexo, pois, os educadores de hoje têm enfrentado diversos problemas no desenvolver do seu trabalho: tratar seu objeto de trabalho e seu público adequadamente, quer dizer, se relacionar com eles conforme os novos conceitos das relações sociais e como entender as múltiplas dimensões do exercício da cidadania e até que ponto a avaliação escolar pode afetar a vida escolar e social dos educandos, percebe-se que existe descontentamento no ambiente escolar, tanto de educadores como de educandos, pois, as escolas apresentam diferentes critérios de avaliação do rendimento escolar, com isso, afasta o aluno da instituição e da sociedade.

No entanto o objetivo deste trabalho é refletir sobre a abordagem do sistema de avaliação do ensino e a aprendizagem, para que e as instituições escolares públicas e privadas percebam que não podem medir e transformar de zero a cem a aprendizagem dos educandos.

Analisar os instrumentos de avaliação onde, os objetivos são distorcidos e muitas vezes usados para castigar os alunos e ameaça-los a reprovação. Isso tem ocorrido freqüentemente em muitas escolas para pegar os alunos desprevenidos, causando assim medo, ou melhor, pânico entre os educandos.

Enfim, ao realizarmos este trabalho, fizemos um levantamento histórico do sistema de avaliação desde Antiguidade até o momento presente. Em seguida, explanamos sobre alguns tipos de avaliação e depoimentos de alguns educadores na área de pedagogia.

A partir desta pesquisa chegamos a uma conclusão de forma respeitosa e convicta que este trabalho pode contribuir muito para todos os que de alguma forma participam do processo educativo.

1- PROCESSO HISTÓRICO DA AVALIAÇÃO

Considerando-se a avaliação como um processo, veremos os acontecimentos dinâmicos, em evolução, sempre em continuas mudanças.

Assim o atual sistema de avaliação é mais um marco neste longo processo histórico-educacional.

Através do tempo, são verificados as principais tendências e desenvolvimento do processo avaliativo em diferentes fases históricas tais como: Idade Antiga, Idade média, renascimento, tempos modernos e idade contemporânea.

1.1 Idade Antiga


Na história antiga, encontra-se diversas formas de avaliação. Em algumas tribos primitivas, adolescentes eram submetidos a provas relacionadas com seus usos e costumes. Só depois de serem aprovados nessas provas eram considerados adultos.

Alguns sociólogos afirmam que a estabilidade da civilização chinesa foi devida a cinco fatores, figurando entre eles o seu sistema de exames, cuja finalidade era a de selecionar candidatos ao serviço público. Ainda em 360 a.C. esse sistema exercia uma profunda influência na educação, na preservação da tradição e dos costumes e, sobre tudo, na política, oferecendo a todos os cidadãos possibilidades de acesso aos cargos de prestígio e poder.

No livro dos juizes, 12:5, 7 encontra-se a primeira noticias sobre os exames orais e também sobre os testes conforme a citação bíblica “E tomaram os gileaditas aos efraimitas os vaus do Jordão; e quando algum dos fugitivos de Efraim dizia: Deixai-me passar; então os homens de Gileade lhe perguntavam: És tu efraimitas? E dizendo ele: Não; então lhe diziam: Dize, pois, Chibolete; porém ele dizia: Sibolete, porque não o podia pronunciar bem. Então pegavam dele, e o degolavam nos vaus do Jordão. Caíram de Efraim naquele tempo quarenta e dois mil.

Jefté julgou a Israel seis anos; e morreu Jefté, o gileadita, e foi sepultado numa das cidades de Gileade.

Observa-se que nesta passagem, todas as vezes que os Efraimitas desejassem passar o Jordão, deveriam responder com a palavra Sibolete. Ao ouvirem, os Efraimitas pronunciar Chibolete, notavam a fraude.

Só aqueles que pertenciam às tribos amigas conseguiam pronunciar corretamente essa palavra.

Quarenta e dois mil Efraimitas perderam a vida por fracassarem nesse teste.

Entre os gregos, em Esparta, os jovens eram submetidos a duras provas, através de jogos e competições atléticas, durante os quais deveriam provar sua grande resistência à fadiga, à fome e à sede, ao calor e ao frio e à dor.

Entre os seus padrões morais, o roubar com astúcia e destreza merecia menção honrosa.

Em Atenas, encontra-se Sócrates, que submetia seus alunos a um exaustivo e preciso inquérito oral que ainda é utilizado, atualmente, por muitos educadores em suas atividades de classe, durante as argüições ou questionários orais. “O conhece te a ti mesmo” no qual empenhou toda a sua vida de sábio. Apontava a auto-avaliação como um pressuposto básico para o encontro com a verdade.

Seu método pedagógico também chamado maiêutica pôs em evidência o processo da conceituação, considerado básico sobre o ponto de vista científico.

Os romanos limitaram-se a vulgarizar o sistema grego de ensino, adaptando-o de acordo com espírito latino.

1.2 Idade Média


Porém, a Idade Média, caracteriza-se por uma intensa espiritualidade, durante os períodos apostólicos, patrístico e monástico, verifica-se um grande interesse pelo conhecimento de realidades mediatas, não perceptíveis pelos sentido, de ordem supra-sensíveis; ou por um conjunto de verdades a que os homens chegaram não com o auxilio de inteligência, mas mediante a aceitação da fé, dos dados da revelação divina.

Predominaram, portanto, o método racional (tradicional) e o argumento de autoridade: o primeiro aplicado a realidades e fatos não suscetíveis de comprovação experimental, e o segundo consistindo em admitir uma verdade ou doutrina, baseada apenas no valor intelectual ou moral daquele que a propõe ou professa.

Aceitava-se quase passivamente a opinião dos mestres ou autoridades no assunto. Repetir, portanto, integralmente o que se ouvia ou lia, era a prova mais convincente do saber.

A atenção e a memória eram os agrupamentos operatórios de pensamento mais valorizados nas escolas desta época.

Mais tarde, entre os educadores escolásticos, encontra-se Santo Tomás de Aquino (1225-1274) combatendo o método a priorístico e o respeito exagerado a autoridade dos antigos.

Deixou uma obra de pesquisa objetiva que causa admiração aos cientistas contemporâneos.

Mas as instituições escolares que maior influência tiveram neste período é que constituíram as organizações mais poderosas e fecundas de todos os tempos foram as universidades.

Nestas universidades, os estudos, destinava-se principalmente, a formação de professores.Os graus universitários compreendiam o bacharelado, a licença e o doutorado.

Os que venciam o bacharelado, deveriam prestar exames a fim de conseguir exame para ensinar. O exame consistia na interpretação e explicação de trechos selecionados por grandes mestres.

Quanto ao doutorado, só aos mestres que liam publicamente o livro das sentenças de Pedro Lombardo, era conferido este título, e mais tarde, somente aqueles que defendiam teses.

Os doutores medievais ao refletirem sobre o irracional, preparam os caminhos da razão e abriram novas perspectivas para a avaliação.

Santo Tomás, no tratado dos anjos, nos oferece análise da operação intelectual, cuja sutileza e profundidade imprime uma orientação nova no pensamento cristão.

Mas o caráter básico desta direção continua ainda sendo o teocentrismo, centro de gravitação de toda a Idade Média.

1.3 Renascimento

Por outro lado, o Renascimento manifestava o movimento do humanismo em duas correntes, nitidamente diferenciado que se distinguiam entre a corrente do humanismo cristão e corrente do humanismo pagão.

Enquanto que, a corrente do humanismo cristão trazia valiosas contribuições para a avaliação através de uma orientação psicológica que visava atender as diferenças individuais dos alunos, a fim de que fossem preparados para a vida de acordo com as suas necessidades, interesses e aptidões. A corrente do humanismo pagão exaltava a individualidade humana, considerada como um fim em si mesma; a super valorização do eu individual sem quaisquer vínculos com valores transcendentais. Este humanismo viria mais tarde imprimir no pensamento moderno seu caráter predominantemente naturalista.

De qualquer forma a originalidade da renascença reside nesta posição nova que o homem assumiu daí por diante em face da natureza, não se interessando por chegar ao seu conhecimento através de operações puramente dialéticas, mas procurando interroga-lo em função dos seus fenômenos, desvendando-lhe os segredos, descobrindo-lhes as causas.

Dessa maneira era fundada a ciência moderna.

Entre os educadores desta época, destaca-se Vitorino de Feltre, considerando o mais notável educador italiano.

“Quero ensinar os alunos a pensar e não a disparatar”.

Para verificar o aproveitamento do aluno, mandava-o ler, em voz alta. Conforme a expressão que dava à leitura, julgava-o habilitado ou não.

Exigia linguagem culta, pronuncia correta e tom de voz moderado.

Era inflexível no que diz respeito à moralidade e às boas maneiras.

1.4 Tempos Modernos

Durante a tomada de Constantinopla pelos turcos, os sábios bizantinos se refugiaram na Itália. E levaram consigo a obra mais importante dos escritores da antiguidade, despertando, desta maneira, um grande interesse pelo estudo das línguas antigas.

Foi nesta época que se formaram as nacionalidades e que surgiram as obras primas das línguas modernas. Mas, foi invenção da imprensa a que mais contribuiu para o desenvolvimento de todas as formas de atividade intelectual.

Multiplicaram-se os livros. E se tornaram acessíveis a todos.

Fundaram-se escolas e criaram-se bibliotecas.

Alguns aspectos da pedagogia desta época nos possibilitam tirar algumas inferências sobre a maneira como os educadores avaliavam o aproveitamento do aluno.

De acordo com René Descarte, as quatro regras próprias para encaminhar o espírito na busca da verdade:

“1- nada se admiti como verdadeiro se não se conhece evidentemente como tal. É a regra da evidencia.

2- dividir cada uma das dificuldades em tantas parcelas quantas se puder e for exigido para sua melhor resolução. É o princípio da análise.

3- levar os pensamentos em ordem começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de serem conhecido para subir, pouco a pouco, como por degraus, aos conhecimentos, mais complexos. É a regra assíntese.

4- Fazer em todas a parte enumerações tão completas e inspeções tão gerais que esteja certo de nada omitir. É a regra da verificação.”

Essas regras, ainda hoje, são de uso constante na prática da avaliação.

As escolas religiosas, tanto as protestantes, como as católicas insistiam nas argüições, nos exames orais.

Em 1702, em Cambridge, na Inglaterra, foi utilizado, pela primeira vez, o exame escrito.

1.5- Idade Contemporânea


Compreendida entre o fim do século XVII, XIX e XX.

Surge a necessidade de se construir um sistema educativo inteiramente novo no qual a educação da criança passa ao domínio exclusivo e absorvente do Estado. Há forte reação contra o ensino humanista tradicional, dando relevo predominante nos planos educativos às ciências naturais, às línguas modernas e aos trabalhos manuais.

Surge laicismo e uma forte influência das idéias materialistas e anticlericais do racionalismo, do Enciclopedismo e do Naturalismo.

Nos fins do século XVII houve uma forte reação contra o ensino vigente.

Nos séculos XIX e XX predominaram as seguintes correntes pedagógicas: o individualismo, o socialismo, o nacionalismo e pragmatismo.

Ainda hoje podemos encontrá-los, informando um grande número de teorias educacionais.

No inicio do século XX predominaram as tendências pedagógicas que colocaram em primeiro plano o problema técnico da educação.

Atualmente a tecnologia educacional se firma como uma maneira nova de pensar a educação e de fazer frente aos problemas educacionais.

Também um movimento em prol da reabilitação dos valores espirituais acentua, alem da necessidade de formação intelectual e cientifica, a formação ético-religiosa.

2-PROCESSO HISTÓRICO AVALIATIVO NACIONAL


A historia da avaliação se mistura com a nossa própria colonização. A avaliação como sinônimo de provas e exames é uma herança que data de 1599, trazida ao Brasil pelos jesuítas.

No Brasil colonial as principais escolas foram jesuíticas onde,... Sua tarefa educativa era basicamente aculturar e converter “ignorantes” e “ingênuos”, como os nativos, e criar uma atmosfera civilizada e religiosa para os degredados e aventureiros que para cá viessem.(história da educação, Prado, Maria Eizabeth Xavier, 1994 p 41).

Entre 1554 e 1570 foram fundados cinco escolas de instrução elementar (Porto Seguro, Ilhéus, Espírito Santo, São Vicente, São Paulo) e três colégios (Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia).

O ensino elementar que tinha a duração de seis anos ensinava Retórica, Humanidades, Gramática Portuguesa, Latim e Grego. Nas classes posteriores, a duração era de três anos e as disciplinas ministradas eram a Matemática, Física, Filosofia (lógica, moral, metafísica), Gramática, Latim e Grego.

Depois de 1759, com a expulsão dos jesuítas, outras ordens religiosas dedicaram-se à instrução, como a dos carmelitas, beneditinos e franciscanos.

Em 1792 o marquês de Pombal implantou o ensino público oficial através de uma ... solução paliativa, através das chamadas Aulas-Régias. Eram aulas avulsas, sustentadas por um novo imposto colonial, o “subsidio literário”, paradoxalmente criado treze anos após o decreto que as instituíra. (idem, ibidem p 52).

No início do século XIX, com a presença da corte no Brasil, foram criados cursos de nível superior: a Academia Real da Marinha (1808), Academia Real Militar (1810), Academia Médico-cirúrgica da Bahia (1808) e Academia Médico-cirúrgica do Rio de Janeiro (1809). Em seguida surgiram cursos de nível técnico em Economia, Botânica, Geologia e Mineralogia e, em 1834, o Ato Adicional atribuiu às províncias a criação e manutenção do ensino primário. Na segunda metade do século apareceram colégios particulares, na maioria católicos.

Obedecendo a ordem cronológica de introduções de novos cursos e ou estabelecimentos de ensino e de reformas educacionais ou curriculares, pode-se apresentar o seguinte quadro da educação no Brasil:

Em 1879, a reforma de Leôncio de Carvalho instituiu a liberdade de ensino, possibilitando o surgimento de colégios protestantes e positivistas.

Em 1891, Benjamim Constant, baseado nos ensinamentos de Augusto Comte, elaborou uma reforma de ensino de nítida orientação positivista, defensora de uma ditadura republicana dos cientistas e de uma educação como prática anuladora das tensões sociais.

Entre 1920 e 1930 ocorreram várias reformas estaduais com novas propostas pedagógicas (Fernando de Azevedo no Rio de Janeiro, Anísio Teixeira na Bahia e Francisco Campos em Minas Gerais).

Em 1922, o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de Fernando de Azevedo e outros 26 educadores, condenaram o elitismo na educação brasileira, preconizando uma escola pública gratuita, leiga e obrigatória.

Buscando um ensino para a classe menos favorecida, no seu artigo 129 da Constituição do Brasil, decretada em 1937 ampara...

“À infância e à juventude, a que faltarem os recursos necessários à educação em instituições particulares é dever da Nação, dos Estados e dos Municípios assegurar, pela fundação de instituição pública de ensino em todos os seus graus, a possibilidade de receber uma educação adequada às suas faculdades, aptidões e tendências vocacionais”.

Em 1930, Francisco de Campos criou o estatuto das Universidades e organizou o ensino secundário. Foi então fundada, em 1934, a Universidade de São Paulo e, 1937, a então Universidade Nacional do Rio de Janeiro, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Durante o Estado Novo foram promulgadas as leis orgânicas do ensino, dividindo o curso secundário em ginasial e colegial (clássico ou científico), criando o ensino profissional ministrado através das empresas e industrias tais como o Serviço Nacional da Indústria (Senai) e o Serviço Nacional do Comércio (Senac).

No ano de 1959, defensores da escola pública lançaram o Manifesto dos Educadores, assinado por 185 educadores e intelectuais, entre eles, Anísio Teixeira, Lourenço Filho, Fernando de Azevedo, Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso.

Em 1960 surgiram as primeiras iniciativas de educação popular, voltada, também, para o atendimento à população adulta como o Movimento de Educação Popular liderado por Paulo Freire, cuja proposta foi adotada por inúmeros países da América Latina e da África e, o Movimento de Educação de Base, iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

No período entre 1970 e 1985, durante os governos militares, foi desenvolvido o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral), cuja proposta era o atendimento em âmbito nacional da população analfabeta, através de programas de alfabetização e de educação continuada para adultos e adolescentes.

A aprovação da primeira lei de Diretrizes e Bases, em 1961, garantiu o direito à educação em todos os níveis, criou o Conselho Federal de Educação (1962), fixou os currículos mínimos e garantiu a autonomia às universidades.

Hoje a educação sistemática do Brasil está dividida em vários níveis: Inicialmente o ensino pré-escolar que atende a criança até a idade de 6 anos e, está subdividido em cursos maternais, de jardim da infância e a pré-escola, quando começa a alfabetização.

Posteriormente, a criança ingressa no ensino primário ou de primeiro grau que é seguido sucessivamente pelo ensino secundário ou de segundo grau, pelo ensino superior ou de terceiro grau e, finalmente, poderá ter acesso a um quarto nível de ensino que diz respeito à pós-graduação.

Para melhor atendimento à população estudantil mais carente o Ministério da Educação e Cultura (MEC) desenvolve a partir de 1995 programas voltados especificamente para essa área, onde são observados maiores índices de repetência.

Em alguns estados há projetos educacionais envolvendo os pais, através do programa bolsas-escola, voltado para as famílias com renda per capita inferior a R$50,00.

Outras iniciativas encontram-se em desenvolvimento como o Projeto TV-escola que adota avanços tecnológicos como mais um recurso didático ou sejam as adoções da televisão, vídeo, fitas e a introdução da informática.

O acompanhamento dos cursos é efetuado pelo Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Básico para verificar o aproveitamento dos alunos dos primeiro e segundo graus e pelo Sistema Nacional de Avaliação de Cursos, para os do terceiro grau.

O analfabetismo, centro de preocupações constantes, vem apresentando quedas constantes: 20,1% em 1991 para 14,5%em 1997, entre a população com 15 anos ou mais. No entanto entre a população rural esse índice continua alto: 31,2%. O governo federal no intuito de diminuir esse índice lança... O Programa Comunidade solidária. A meta é reduzir o analfabetismo nas cidades mais pobres do pais situadas em estados como Piauí, Amazonas, e Paraíba. Até o segundo semestre de 1999.(Almanaque Abril Especial 2000 p 95)

Os principais estudos comparativos sobre os resultados da aprendizagem se tornaram possíveis graças à Associação Internacional para a Avaliação Educativa. Entre 1960 e 1995 foram realizados 14 estudos internacionais concentrados nos níveis de alfabetização, nas matemáticas e nas ciências. Todos são caracterizados pelo uso de instrumentos idênticos de avaliação para registrar a aprendizagem obtida nestas áreas específicas. Posteriormente são aplicados a grupos da mesma idade ou do mesmo nível escolar nos países estudados.

3- LEI DE DIRETRIZES E BASES E A AVALIAÇÃO

De acordo com Lei de Diretrizes e Bases que foi projetada, em 1988, e aprovada em 1997, nesta lei a o processo avaliativo é contemplado no Art. 24 inciso V, que diz a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios:

a) Avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevaleça dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais:

b) Possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar;

c) Possibilidade de avanços nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado;

d) Aproveitamento de estudos concluídos com êxito;

e) Obrigatoriedade de estudo de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seu regimento.

O docente deve valorizar o processo de formação mais adequadamente, não acrescentando na prova final somente a nota daquela avaliação, embora seja regimental. Uma reflexão importante está em alguns casos na mudança de procedimento.

Como se observa, a Lei usa a expressão “verificação do rendimento escolar. Verificar, numa de suas acepções, quer dizer comprovar; rendimento pode ser entendido como eficiência. Então de acordo com a lei, cabe a escola comprovar a eficiência dos alunos nas atividades, ou seja, avaliar o êxito por eles alcançado no processo de ensino aprendizagem”.

Mas, quando se trata em comprovar esse êxito e como avaliar se torna complexo. Avaliar não é a mesma coisa que medir, qualquer medida pode-se dispor de instrumentos precisos tais como: régua balança, etc. E quanto mais preciso os instrumentos, mais exatos a medida. Ao contrário disso não há instrumento preciso para a avaliação.

Na avaliação escolar, não se avalia um objeto concreto observável e sim um processo humano contínuo.

Por outro lado, para tentar contornar esse problema e evitar avaliações precipitadas, para impedir que a avaliação de um momento seja generalizada para todo o processo, deve-se proceder a uma avaliação continua que capte o desenvolvimento do educando em todos os seus aspectos.

Na concepção de César Coll, há três modalidades de avaliação: avaliação inicial, avaliação formativa e avaliação somatória.

Atualmente os objetivos da avaliação visam tanto o processo de aprendizagem quanto os sucessos ou fracassos dos estudantes. Neste sentido, uma diferença fundamental em relação às provas escolares é a avaliação permanente, que se realiza com outro tipo de meios, entre os quais se inclui o conjunto de tarefas realizadas pelo estudante no decurso do ano escolar. A avaliação é, assim, realizada para obter sobre o aluno uma informação mais abrangente que a simples e pontual referência das provas.

A avaliação tem função legitimadora da ideologia das sociedades modernas. Os bons resultados acadêmicos são vistos como indicadores das aptidões que darão ao indivíduo possibilidades de progredir e ter êxito.

No entanto, recentemente o interesse está concentrado em reduzir os efeitos negativos da avaliação no sistema escolar e sua repercussão individual sobre os estudantes.

4-AVALIAÇÕES GOVERNAMENTAIS DO ENSINO


Uma modalidade de avaliação que nos últimos anos alcançou uma grande difusão no Brasil, a exemplo do que já vem ocorrendo a mais tempo em outros países, é a avaliação que tem como objetivo principal diagnosticar problemas nos sistemas de ensino. Os exames realizados pelos alunos nesse caso, não pretendem descobrir se cada estudante está conseguindo atingir os objetivos propostos pelo ensino escolar, mas, inversamente, buscam verificar se os sistemas de ensino estão dando conta do seu principal objetivo, ou seja, de ensinar aos alunos aquilo que se considera necessário que eles aprendam. O principal aspecto positivo desse tipo de avaliação, que é feita pelo governo dos países, é o reconhecimento de que o Estado é responsável pela oferta de um ensino de qualidade às crianças, jovens e adultos. Isso significa assumir que não se pode continuar culpando os alunos pelo fracasso escolar.
Quando são bem feitas essas avaliações permitem elaborar um diagnóstico da situação educacional do país, verificar os fatores que mais interferem na melhoria ou na queda da qualidade do ensino e estabelecer prioridades. Também nesse caso, porém, é fundamental estabelecer objetivos adequados para o ensino. Pretender que todas as escolas, públicas e particulares, de todas as regiões do país tenham o mesmo desempenho, por exemplo, é desconhecer que as escolas são diferentes, entre outras coisas, porque as características dos alunos a que atendem são diversas. Sendo assim, o estabelecimento de critérios rígidos ou mal formulados pode prejudicar o próprio desenvolvimento do sistema educacional, tornando-o, por exemplo, ainda mais seletivo, para atingir um nível de excelência que nem todos os alunos podem alcançar. No Brasil, as principais formas de avaliação empregadas atualmente pelo governo para verificar o desempenho dos sistemas escolares são o Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica) e o Exame Nacional de Cursos, conhecido como Provão.
"O Saeb é aplicado de dois em dois anos para medir o desempenho dos sistemas de ensino. Trata-se de uma avaliação em larga escala, realizada com alunos da 4.a. e 8.a. séries do Ensino Fundamental e 3.a. série do Ensino Médio”.(CASTRO, 2000, p. 27).

Enfim, o Provão, instituído em 1996 constitui um dos elementos que compõem o sistema de avaliação dos cursos de graduação, que fiscaliza as instituições superiores onde provocou uma um grande impacto que

..É notado sobretudo na busca de qualidade por parte das instituições privadas de ensino superior atualmente estas escolas tem que cumprir as exigências da LDB...no final de 1999, como resultado da aplicação do Provão, doze escolas superiores privadas tiveram a autorização e renovação de funcionamento negada.(Almanaque Abril 2000 p. 94)

5. FUNÇÃO DA AVALIAÇÃO ESCOLAR


Se o sistema escolar brasileiro funcionasse plenamente, entrariam para escola todas as crianças em idade de fazê-lo e todas, sem exceção, passariam normalmente de uma série para outra, até concluírem a escolaridade obrigatória.(Nelson Piletti, 1988, p 94).

As estatísticas educacionais sobre movimentação e fluxo escolar foram tratadas erradamente por muito tempo no Brasil. Trabalhos recentes do Ribeiro e Fletcher (1987), Fletcher e Ribeiro (1988), Ribeiro (1991), Klein e Ribeiro (1991) e Klein (1995) apontam os erros e apresentam duas metodologias de correção destas estatísticas.

Estes autores mostram que o acesso à primeira série do primeiro grau está praticamente universalizado, uma vez que pelo menos 95% têm acesso a esta série. Já a conclusão do primeiro grau está longe de ser universal, pois em 1990 somente 45% estavam concluindo o primeiro grau, seja via sistema regular seja via supletivo de ensino. Ao mesmo tempo, os trabalhos mostram que o número de matrículas no primeiro grau era maior do que o número de crianças de 7 a 14 anos.

Os autores demonstram que o grande problema do sistema educacional brasileiro é a repetência e não a evasão. Cerca de 50% dos alunos matriculados no sistema regular de ensino, repetem a primeira série a cada ano enquanto somente 2% se evadem. Considerando-se as oito séries do primeiro grau, 33% dos alunos repetem uma série a cada ano, enquanto somente cerca de 5% saem do sistema regular de ensino sem concluí-lo. Os alunos passam em média cerca de nove anos no primeiro grau e os que concluem o fazem em média em onze anos. A grande maioria dos alunos tem pelo menos uma repetência no primeiro grau, mas insiste em ficar na escola, só saindo após vários anos por não conseguir progredir.

Os dados da "Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílios” (PNAD) do IBGE, coletados anualmente entre setembro e novembro, indicam que em 1990, 90% das crianças de 9 e 10 anos estavam freqüentando a escola e que 72% das crianças de 14 anos estavam matriculadas, em qualquer uma das séries do primeiro grau do ensino regular.

Estes indicadores de movimentação e fluxo escolar, embora úteis para nos dar uma idéia da eficiência do sistema, não nos fornece informações sobre a qualidade do ensino oferecido aos alunos. Poderíamos especular que os altos índices de repetência fossem devido a um alto grau de exigência par aprovação, e que os concluintes fossem alunos altamente qualificados. Infelizmente, dados sobre o desempenho de alunos em exames vestibulares e nas avaliações realizadas pelo Sistema de Avaliação Da Educação Básica (SAEB) em 1990 e 1993 indicam que as altas taxas de repetência são acompanhadas de um ensino de baixa qualidade.

Neste contexto torna-se indispensável a criação e manutenção de um sistema de avaliação de aprendizagem capaz de fornecer informações consistentes, periódicas e comparáveis sobre o desempenho dos alunos.

Devemos entender a avaliação como termômetro da educação, o que não equivaleria dizer ou continuar com a retórica aplicada por muitos que desde sempre estamos passando provas e rabiscando suas respostas de vermelho. As implicações vão mais longe do que se imagina. Os testes criam nos alunos e nos professores uma cultura que nada tem com o aprender. Desde muito cedo, os assuntos que interessam nas salas de aula passam a ser: o que vai cair na prova? São saber quais páginas devem ser decoradas. O próprio professor divide o saber em segmentos. Apesar de todo conteúdo programático seguir uma seqüência lógica em que um assunto se apóia em outro, nas provas e testes só cai a matéria do bimestre, como se a cada dois meses uma disciplina completamente nova surgisse do nada, tornando desnecessário o que foi aprendido antes.

A função da avaliação dentro desse conceito seria a de diagnosticar, reforçar e permitir crescer. Assim, o papel do professor é o de um conselheiro, de um orientador, e não o de um juiz, júri e executor. A abordagem da avaliação como "punição" é substituída pela abordagem da "melhoria contínua". O homem hoje tem de processar informações de um modo muito diferente do de ontem. Nossos mestres gostariam que compreendêssemos o que nos ensinam nos mínimos detalhes, mas a sobrecarga é muito grande. A quantidade de informações é excessiva. O segredo é, portanto, "escanearmos" o que realmente importa e a escolha desse conteúdo e sua aplicação em benefício de um crescimento individual e coletivo que diferencia o sábio do prepotente.

A concepção de avaliação que perpassa essa lógica é a de um processo que deve abranger a organização escolar como um todo: as relações internas à escola, o trabalho docente, a organização do ensino, o processo de aprendizagem do aluno e, ainda, a relação com a sociedade.

Nessa perspectiva torna-se fundamental a constituição de um conceito de avaliação escolar que atenda às necessidades de escolarização das camadas populares, porque são elas que mais têm sofrido como o modelo de escola atual. E, se o movimento amplo da sociedade impõem um novo tipo de escola, impõem, também, a necessidade de um novo referencial para a constituição dos processos de avaliação.

A avaliação é um exercício mental que permite a análise, o conhecimento, o diagnóstico, a medida e/ou julgamento de um objeto. Esse objeto deve ser a própria realidade e daqueles que a fazem. Avaliar seria um processo de autoconhecimento e, também, o conhecimento da realidade e da relação dos sujeitos com essa realidade. Seria um processo de análise, julgamento, re-criação e/ou ressignificação das instituições que fazem parte dessa realidade e das pessoas que a mantêm.

Questionam-se, assim, os processos de avaliação da aprendizagem dos alunos que estão, usualmente, centrados num desempenho cognitivo, sem referência a um projeto político-pedagógico de escola, e, ainda, o sentido das avaliações escolares que se têm direcionado, especialmente, para o ato de aprovar ou reprovar os alunos.

Ao lado desses aspectos, surge uma as questões mais controvertidas nas práticas de avaliação: os registros numéricos na aferição do rendimento dos alunos. A Escola Plural propõe a abolição total das notas. Considera esses registros arbitrários porque unidirecionados, já que são de total responsabilidade do professor, que assume o papel de juiz. Questiona as provas, usualmente empregadas como instrumentos únicos de avaliação, e critica o fato de serem mal elaboradas e sem critérios claros de aferição da aprendizagem dos conteúdos específicos ensinados. Considera que existe uma visão reduzida e equivocada do processo de avaliação, já que a nota, produto concreto dessa verificação, reflete apenas o resultado do desempenho cognitivo do aluno, e nunca o processo educativo que o levou a tal resultado.

Em oposição, o conceito alternativo de avaliação baseia-se na perspectiva de interestruturação do conhecimento, entendendo a ação de avaliar como processual e reveladora das possibilidades de construção de um processo educativo mais rico e mais dinâmico. Parte do pressuposto de que as diferenças são positivas e fundamentais para o crescimento dos sujeitos no processo de conhecimento da realidade.

Mais uma vez, o campo da discussão dos valores torna-se prioritário. Se a educação é concebida como um direito à escola e as diferenças são positivas e fundamentais para o crescimento dos sujeitos e do grupo do qual fazem parte, não caberia à escola o papel de classificar, excluir ou sentenciar os alunos. A avaliação deveria priorizar a identificação dos problemas, dos avanços e verificar as possibilidades de redimensionamentos e de continuidades do processo educativo. A avaliação se constituiria num processo investigador e formativo contínuo, do qual professores, alunos e pais participariam ativamente.

Ao procurar romper com a avaliação somativa, abolindo as notas como o critério de comprovação de um determinado produto previamente esperado, a nova concepção de avaliação procura trazer à tona o valor dos aspectos globais do processo ensino-aprendizagem. Da forma de intervenção do professor, do projeto curricular da escola, da organização do trabalho escolar e da importância da formação das identidades e dos valores pessoais.

6-FORMAS E INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO

Há diversas modalidades de avaliação que podem ser empregadas na escola, dependendo do que se pretende verificar. As formas de avaliação que, atualmente, parecem ser mais freqüentemente empregadas nas escolas são a prova escrita, os trabalhos em grupo, a auto-avaliação, que alguns professores convidam seus alunos a fazerem sobre o seu próprio desempenho e a avaliação que às vezes pedem para o aluno fazer do curso. Porém, vamos nos concentrar na prova escrita, já que essa parece ser, ainda, o principal instrumento de avaliação empregado pela maioria das escolas.

Muitas e conhecidas são as restrições feitas à prova que o aluno faz na escola, individualmente, no espaço de uma aula e que exige o estudo anterior em casa da matéria ensinada durante um mês ou um bimestre. O aluno pode não ter tido condições de se preparar adequadamente para a prova, pode ter se sentido mal durante a sua realização, pode ter ficado muito nervoso e até mesmo ter tido o azar de ter estudado melhor justamente a parte da matéria que o professor não pediu na prova. De fato, tudo isso pode acontecer e talvez deva ser levado em consideração, embora provavelmente esses casos constituam, quase sempre, exceções. Mas há outras questões pertinentes, como por exemplo: imaginemos que todos os alunos realizassem sempre as provas em condições ideais de saúde e preparação. Nesse caso, seria a prova tradicional um bom recurso para avaliar o que eles aprenderam?

Tudo vai depender da maneira como são propostas as questões. Se a intenção não for apenas a de verificar quantas informações o aluno "guardou em sua cabeça", mas sim a de perceber como o aluno está aproveitando tudo o que ele aprendeu durante as aulas, para compreender os temas estudados no curso e para resolver problemas propostos pela disciplina estudada, então a prova pode ser um bom momento para professores e alunos efetuarem uma revisão de tudo o que foi – ou deveria ter sido aprendido – e perceberem o que ainda pode ser melhorado.

É preciso não perder de vista que a razão de tudo o que acontece na escola é o aprendizado dos alunos e se a prova não puder ensinar nada a eles, não se justificam o tempo e a energia gastos na sua preparação e correção. Nesse sentido, é fundamental também aproveitar a correção da prova como uma preciosa oportunidade de os alunos identificarem as suas principais dificuldades, para que possam dedicar-se mais tempo ao estudo dos conceitos que ainda não compreenderam, para desenvolver mais bem determinadas habilidades.

Uma boa alternativa é permitir que os alunos re-elaborem as questões da prova nas quais não conseguiram um bom resultado, de modo que possam recuperar as falhas anteriores. Em alguns casos, a reformulação poderá exigir apenas a correção de uma informação como, por exemplo, saber que a escrita de um diálogo exige a utilização do travessão. Em outras situações, a reformulação poderá indicar outra dificuldade do aluno como, por exemplo, perceber que o discurso escrito é diferente do discurso falado. Esse caso, provavelmente, exigirá uma atenção maior do professor, no sentido de proporcionar ao aluno outras oportunidades de perceber as particularidades da fala e da escrita. Enfim, cabe ao professor ter o cuidado de observar se o tipo de prova e a forma de correção empregada estão realmente contribuindo para o aprendizado de seus alunos, tornando válido o esforço dedicado a sua realização.

7- PROVA OPERATÓRIA

A prova operatória constitui um instrumento de avaliação que corresponde a uma nova oportunidade dada ao aluno, para ampliar o seu conhecimento sobre uma determinada matéria ou seja, constitui um momento importante de aprofundamento dos estudos. Terzi e Ronca demonstraram que é possível avaliar os alunos mediante a aplicação de provas sem que essa atividade seja, apenas, uma tarefa burocrática, a qual rouba dos professores e alunos tempo preciosos que poderia estar sendo dedicado ao desenvolvimento do ensino e do aprendizado. Para eles, uma prova pode ser considerada operatória quando "longe de ser mecânicos questionários, testes ou exercícios, for um momento a mais para o aluno viver internamente a construção ou reconstrução de conceitos ao longo do caminho da aprendizagem. Ou seja, um momento de aprendizagem" (1991 p. 34).

Uma prova operatória, a própria denominação já indica, pressupõe a realização de determinadas ações ou, dito de outra forma, de operações, tais como: analisar, classificar, comparar, criticar, imaginar, seriar, levantar hipóteses, justificar, explicar, interpretar, supor, reescrever, descrever, localizar, opinar, calcular, determinar, comentar, substituir, expor, construir, relacionar, sintetizar e outras. Para que o resultado dessas ações seja satisfatório, convém, no entanto, lembrar que é preciso garantir que professores e alunos estejam de acordo quanto ao significado de cada um desses verbos.

Além de explicitarem os objetivos e as ações que devem ser cumpridos pela realização de uma prova, os autores desenvolvem a proposta no sentido de torná-la mais clara. Consideram, por exemplo, que as seguintes características contribuem para que uma avaliação possa ser considerada como uma prova operatória.

7.1 Características da prova operatória:

1. O tratamento coloquial: a prova dialoga com o aluno. Em vez do tratamento frio e formal que costuma caracterizar as avaliações escolares, a prova operatória conversa com o aluno e convida-o a participar das atividades propostas. Dessa maneira, contribui para proporcionar autoconfiança e motivação, ao revelar que a prova foi feita para o aluno, tendo em vista o que ele estudou no âmbito de uma disciplina durante um determinado período letivo.

2. A, inclusão de problemas reais - as questões referem-se a temas atuais que tenham relevância para a compreensão do mundo, contribuindo para a reflexão do aluno sobre contexto histórico em que vive. O aluno que se vê convidado a refletir sobre o mundo que o cerca sente que não está apenas respondendo a uma questão apenas porque o professor quer assim, mas percebe a importância do estudo de cada disciplina específica para o conhecimento de uma realidade da qual ele próprio faz parte.

3.A leitura - a prova operatória pode ser convidativa, mas não tem a intenção de ser fácil, no sentido de que basta memorizar uma série de informações e reproduzi-las como respostas para ser bem sucedido. Para realizar a prova operatória, o aluno precisará ler e interpretar o conteúdo de textos relacionados com a disciplina que está sendo avaliada.

4.A escrita - a inclusão da escrita como um componente fundamental da prova operatória justifica-se da mesma maneira que a necessidade da leitura. Ao realizar a prova operatória, o aluno não vai apenas identificar a resposta certa para uma questão num conjunto de alternativas, mas expressar, por escrito, o seu pensamento, com vistas a desenvolvê-lo e a aprimorar sua capacidade de expressão escrita.

Os autores ainda sugerem uma composição adequada para uma prova operatória:
Partes da prova operatória:

1. Redação sobre um tema relacionado à disciplina que está sendo avaliada
Ex: "Os Estados Unidos produzem cerca de 10 bilhões de toneladas de lixo sólido por ano. Cada norte-americano joga fora em média 300 quilos de embalagens anualmente. Especialistas da área advertem que na próxima década o país poderá enfrentar uma "crise do lixo". ( Folha de S. Paulo, 10.03.89).

Relacione o tipo de sociedade citada no texto com o(s) fator (es) que gera(m) a "crise do lixo". Explique as suas conseqüências para o meio ambiente e para a preservação dos recursos naturais “. (Unicamp. 1990)”.

O exemplo, retirado de um vestibular importante, revela que mesmo essas avaliações não são mais desculpas para a insistência num ensino que garante exclusivamente a aquisição de informações. Na verdade, uma questão bem elaborada pode oferecer as informações necessárias para que o aluno efetue as operações específicas que conduzam à resposta.

2. Elaboração de questões mais simples e objetivas, relacionadas à aquisição de conteúdos fundamentais para o aprendizado da disciplina; Ex: "Entre 1750 e 1777, durante o reinado de D. José I em Portugal, o Marquês de Pombal, seguindo as práticas do despotismo esclarecido, determinou novas medidas econômicas e administrativas para o Brasil. Mencione três decisões da política pombalina e as alterações que elas provocaram na colônia. (Unicamp, 1990)” (idem, p. 39).

Vale a pena comparar o texto dessa questão, que contextualiza o tema, a outra forma de propor a mesma pergunta: "Quais foram às decisões da política do Marquês de Pombal que influenciaram na colônia?" (idem). Esta última versão, típica dos questionários tradicionais, é mesquinha e dá a impressão de que a questão é fútil, sem nenhuma importância para o aluno além da necessidade de ser aprovado ou de obter uma boa nota no exame.

3. Problemas que exijam do aluno a realização de operações, as quais envolvem o conteúdo assimilado e as capacidades exigidas para chegar à resposta do problema.

Exemplo de prova operatória: Ex: "Observe a figura abaixo. Identifique e escreva o nome de cada elemento constitutivo do solo. Responda, também, em que camada nós podemos encontrar fósseis?” (Terzi Ronca, 1991, p. 38).

Como se pode observar a partir do exemplo citado, a apresentação de um problema ocorre, sempre, mediante o uso de palavras operatórias: observe, identifique, responda.

8-AVALIAÇÃO DE HABILIDADES E COMPETÊNCIAS

O "Documento Básico do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM)" instituiu uma matriz de competências às quais são associadas determinadas habilidades, com a intenção de tornar mais objetiva a avaliação das capacidades desenvolvidas pelos alunos que estão concluindo o ensino médio ao longo de sua escolaridade básica e visualizar a diferença básica entre dois tipos de conhecimento: o saber que e o saber como.

O primeiro tipo de saber relaciona-se ao conhecimento de informações e o segundo refere-se à capacidade de fazer alguma coisa. Por exemplo: uma pessoa que gosta muito de música pode saber que foi Bach quem compôs os Concertos de Bradenburgo e ter diversas outras informações sobre a obra e o compositor e, mesmo assim, pode não saber como tocar um instrumento. Por outro lado, há pessoas que sabem como tocar instrumentos mesmo sem conhecer os compositores famosos e até mesmo sem nunca ter estudado teoria musical.

A escola exige dos alunos esses dois tipos de conhecimento, já que o objetivo do ensino não é a simples memorização de um conjunto de informações pelos alunos, mas também o aprendizado de procedimentos úteis para a solução de problemas numa determinada área do conhecimento. Sendo assim, a avaliação escolar deve permitir verificar não apenas a retenção de informações sobre a matéria pelo aluno, mas, principalmente, se os alunos estão sendo capazes de utilizar aquilo que aprenderam a partir dos exemplos dados pelo professor na compreensão de casos análogos. Nas palavras do educador José Sérgio Carvalho,

"Avaliamos o êxito de qualquer ensino não pela capacidade de reprodução que o aluno tem do que lhe foi apresentado como informação ou caso exemplar, mas pela sua capacidade de construir soluções próprias a novos problemas, ainda que para isso ele recorra àquilo que lhe foi colocado como caso exemplar, ou seja, que ele lance mão das 'soluções canônicas' que lhe foram apresentadas na aula”.(AQUINO, 1997, p. 14-15)

Para dar um exemplo apenas, não podemos ter certeza de que um aluno aprendeu um novo idioma apenas ao verificar que reproduziu um texto escrito na língua estrangeira. Para reproduzir corretamente um texto escrito em alemão, basta ter boa coordenação motora fina e prestar atenção na tarefa. Evidentemente, contudo, só poderemos dizer que uma pessoa aprendeu alemão quando observarmos que ela é capaz de criar um novo texto em alemão e não apenas copiar.

Ao avaliar as competências dos alunos, mais uma vez é preciso definir adequadamente os objetivos que o aluno deve alcançar. É preciso levar em consideração ainda uma distinção no que se refere à correção: para o aprendizado de informações é lícito avaliar as respostas como certas ou erradas (ou eu sei que foi Bach quem compôs os Concertos de Bradenburgo ou eu não sei). No caso do domínio de habilidades e competências, no entanto, a avaliação exige primeiro a explicitação do nível de exigência do desempenho. Está claro que o desempenho que se espera do aluno em sua décima aula de piano não é o mesmo que se exige do pianista profissional num concerto, por exemplo. Tocar piano é uma atividade que pode ser aperfeiçoada a cada dia, por isso é mais adequado dizer que alguém está tocando melhor hoje do que ontem do que dizer que ontem estava tocando errado e hoje está tocando certo. Ocorre o mesmo com as competências escolares e é por isso que nunca terminamos de aprender a ler ou a escrever. Nosso conhecimento nessas áreas sempre pode ser aperfeiçoado.

9-AVALIAÇÃO SOMATIVA, FORMATIVA E DIAGNÓSTICA

A modalidade diagnóstica consiste na soldagem, projeção e retrospecção das situações dos desenvolvimentos do aluno, permitindo constatar as causas de repetidas dificuldades de aprendizagem. Quando os objetivos não forem atingidos, são retomados e elaborada-se novas estratégias para que se efetua a produção do conhecimento. Sant'anna (1999) complementa que “esta modalidade deve ser feita no início de cada ciclo de estudos através de uma reflexão constante, crítica e participativa”.

A modalidade formativa informa o professor e o aluno sobre resultados da aprendizagem no desenvolvimento das atividades escolares. O educador utilizá-la durante o decorrer do ano letivo.

A modalidade somativa tem por função classificar os educandos ao final da unidade, segundo níveis de aproveitamento apresentados não apenas com os objetivos indivíduos, mas também pelo grupo.

A avaliação possui três funções de fundamental importância para o processo educativo como diagnosticar, controlar e classificar.

A função diagnóstica tem como objetivo identificar, analisar as causas de repetidas incapacidades na aprendizagem, evidenciando dificuldades em seu desempenho escolar, sendo que a função formativa ou de controle tem a finalidade de localizar, apontar as deficiências, insuficiências no decorrer do processo educativo, na qual os instrumentos de acordo com os objetivos a serem atingidos. Quanto à função classificatória podemos dizer que
Frente a este contexto, o professor deve desenvolver o papel de problematizador, ou seja, problematizar as situações de modo a fazer o aluno, ele próprio, construir o conhecimento sobre o tema abordado de acordo com o contexto histórico social e político o qual está inserido, buscando a igualdade entre educador-educando, onde ambos aprendem, trocam experiências e aprendizagens no processo educativo, uma vez que "não há educador tão sábio que nada possa aprender, nem educando tão ignorante que nada possa ensinar”. (Becker, 1997:147). Diante disso, vem a comprovar a interação do aluno no processo de ensino-aprendizagem em que cada um tem a ensinar para o outro, sendo que a avaliação é um elo entre a sociedade, as escolas e os estudantes.

É necessário que ocorra uma conscientização de todos estes segmentos, onde a avaliação deve ser repensada para que a qualidade do ensino não fique comprometida e o educador deve ter o cuidado nas influencias nas histórias da vida do aluno e do próprio professor para que não haja, mesmo inconscientemente, a presença do autoritarismo e da arbitrariedade que a perspectiva construtivista tanto combate.

Segundo Hoffmann (2000), avaliar nesse novo paradigma é dinamizar oportunidades de ação- reflexão, num acompanhamento permanente do professor e este deve propiciar ao aluno em seu processo de aprendizagem, reflexões acerca do mundo, formando seres críticos libertários e participativos na construção de verdades formuladas e reformuladas.

De acordo com o art. 24, inciso V da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96, indica que a avaliação escolar visa:

- Uma avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais;

- A possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar;

- a possibilidade de avanços nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado;

- O aproveitamento de estudos concluídos com êxito;

- A obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino e seus regimentos.

A avaliação escolar é um processo pelo qual se observa, se verifica, se analisa, se interpreta um determinadoJoão do Rozario Lima

João do Rozario Lima. Filho de Athaydes Martins de Lima e Zita do Rozario Lima. Nasceu e São Gabriel da Palha no Estado do Espirito Santo. Graduado em Pedagogia e Pós Graduado em Psicopedagogia Clinica e Institucional. Atua como Professor das Séries Iniciais no Municipio de Seringueiras no Estado de Rondonia. telefone 069 3623 3196.

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