Análise da participação do aluno na aula Ji-Paraná, Rondônia

A intenção do texto é apresentar uma reflexão sobre a participação do aluno monitor da disciplina de Didática e o papel do professor na sociedade atual. Se o mestre for verdadeiramente sábio, não convidará o aluno a entrar na mansão de seu saber, e sim, estimulará o aluno a encontrar o limiar da própria mente. Leia mais abaixo.

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Auto Escola Taveira
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Porto Velho, Rondônia

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Análise da participação do aluno na aula

"Se o Mestre for verdadeiramente sábio, não convidará o aluno a entrar na mansão de seu saber, e sim, estimulará o aluno a encontrar o limiar da própria mente".

Khalil Gibran

 1. PAPEL DO PROFESSOR DE DIDÁTICA

Atuar como professor na contemporaneidade torna-se um exercício diário de reflexão sobre suas próprias práticas metodológicas, conceitos e saberes. É ter consciência sobre seu papel e coragem para confrontar suas intenções e ações; entender a si mesmo como sujeito participante no processo ressignificando seus objetivos, conhecimentos e mudando a rota da caminhada docente quantas vezes forem necessárias (FURTER, 1974)∗.

O profissional da educação, no caso o professor, deve propiciar espaços aos alunos durante as atividades de aula, por entendê-los como também atuantes com potencialidade para mudar a realidade educacional; permitir que expressem seus anseios e motivações surgidos naturalmente dentro das relações construídas durante o período destinado à convivência escolar. É importante o professor levar em conta os aspectos afetivos dos alunos, considerando suas complexidades, valorizando-os como pessoa.

Cotidianamente definir e redefinir sua formação, sem esperar apenas por mecanismos externos correspondentes à sua formação quanto docente; assumindo a postura de ator principal no maravilhoso espetáculo da vida, cuja cena não acaba tampouco o processo de autoconhecimento de si mesmo para sua forma de trabalhar e, antes de tudo, entender a educação possam de fato “transformar, senão o mundo, mas os universos que o cercam.” (LEITÃO¹, 2004).

Ser professor de Didática no, século XXI, torna-se mais instigante por se tratar de uma nova época, na qual os conflitos e ruídos interiores são mais evidenciados; conceitos como holística, corporeidade, ecopedagogia, ecofilosofia, tem sido ainda mais propagados nas discussões e práticas educativas. Ser ou dizer-se professor requer desse indivíduo mais que suas teorias e técnicas, se faz necessário investir em sua formação como Ser Humano por completo (MARCONDES, 1997)∗∗.

A Didática preconiza uma reflexão sobre as práticas do professor, pensando no seu conceito sobre aprendizagem e ensino.

O professor de didática precisa buscar ser consciente de suas escolhas, livre para decidir seus caminhos e refazê-los quando acreditar que deve. E entendem que não se constrói a caminhada isoladamente, mas superando os desafios e crescendo coletivamente. Não há como separar a formação do professor de Didática da sua vida pessoal, de sua formação acadêmica, enfim é a mesma pessoa atuando de diferentes formas e desempenhando diversos papéis sociais (FREIRE², 1996).

Por fim, quando se diz que a educação é ideológica, não significa dizer que o seu caráter é de conservar e reproduzir o sistema. Mas, quer dizer que, enquanto forma de intervenção no mundo a educação não pode ser neutra. Ela responde e corresponde a interesses intencionais, sejam interesses da classe dominante ou interesse da classe dominada. É desse modo que a prática pedagógica exige do professor uma definição. Uma tomada de posição. Decisão. Ruptura.

2. PARTICIPAÇÃO DO ALUNO MONITOR NA FORMAÇÃO DOCENTE

O trabalho do aluno Monitor tem como ponte, a idéia de que, de acordo com o novo paradigma para educar de forma efetiva para um mundo melhor, precisa-se de educadores que sejam capazes de se relacionar consigo próprio, aceitando incondicionalmente suas próprias diferenças, limites, possibilidades de crescimento e tenham uma visão essencialmente positiva da vida e das relações humanas. Relações humanas tecidas e desenvolvidas com as múltiplas dimensões do ser: corporais, intelectuais, emocionais e espirituais. Em outras palavras investir nas potencialidades humanas, criar mecanismos para que possamos vivenciar o reconhecimento de nossas próprias potencialidades. Desta maneira acreditando nelas, como instrumento de promoção de nossas capacidades e possibilidades de evoluir.

De acordo com NEIRA³, (2006, p.163), a educação é colocada, por um lado, como chave para o encaminhamento de muitos problemas que enfrentamos; por outro, ela ainda está por ser descoberta, ou melhor, na assertiva de Delors, é preciso encontrar-se seu verdadeiro significado real, o seu verdadeiro conteúdo e a forma mais adequada de realizá-la, garantindo assim a sua contribuição efetiva para o desenvolvimento, concebido agora em suas múltiplas dimensões.

O verdadeiro significado da educação se assentaria sobre os conhecimentos acumulados por diversas culturas e tradições, pois a síntese de saberes diferentes contribuirá para a dissolução do preconceito e da intolerância, trazendo um novo entendimento entre as pessoas. Sua assimilação seria através de práticas corporais de autoconhecimento assentadas na discussão integrada, buscando simultaneamente a saúde do corpo, mente e espírito, despertando para a manutenção de valores humanos, o despertar e a orientação produtiva da inspiração e da criatividade. Talvez tenhamos que desaprender essa cultura do movimento centrada no corpo-instrumento/corpo-objeto e aprendermos uma nova resgatando a linguagem sensível.

Como a disciplina de Didática é ministrada a alunos dos diversos cursos: Filosofia, Ciências Biológicas e Educação Física, é abordado também, os conceitos de uma educação corporalizada que permita ampliar o conceito de aprendizagem e de transcendência, para poder ultrapassar as couraças do racionalismo e incluir a sensibilidade na formação do ser. Assim, o ensino da didática, levará o aluno monitor a enveredar por um campo do conhecimento de estudos diversos, aprimorando a compreensão da capacidade do ensino-aprendizagem, a partir da prática docente.

A escola surge historicamente como fruto da necessidade de se preservar e reproduzir a cultura e os conhecimentos da humanidade, crenças, costumes, valores e conquistas sociais. No entanto, ela acaba se adequando à política do capital, gerando profissionais de acordo com as necessidades das empresas, vira um produto a ser vendido como mercadoria, gerando no campo educacional uma grande competitividade.

Por Fim, entendemos que a escola deve ser um espaço de formação, capaz de proporcionar ao aluno condições para a conquista e solidificação de uma consciência critica, capaz de refletir sobre sua própria realidade e, sobretudo agir sobre a mesma, procurando transformá-la, condições para a sua realização como pessoa humana, possibilitando uma formação ética e um pleno desenvolvimento da autonomia intelectual para enfrentar e inventariar o mundo. A escola precisa se tornar um lugar onde facilitem o crescimento e o desenvolvimento do ser humano, assim sendo, ela se tornará um lugar agradável tanto para os estudantes como para os educadores, e precisa respirar envolvimento, interesse, motivação e trabalho.

1. LEITÃO, Cleide Figueiredo, Buscando caminhos nos processos de formação/autoformação, SAPÉ – Serviços de Apoio à Pesquisa em Educação, Revista Brasileira de Educação, set/ out/ Nov/ dez 2004

2. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. 16ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. (Col. Leitura)

3. NEIRA, Marcos Garcia. Educação física: desenvolvendo competências. 2. ed. São Paulo: Phort, 2006.

∗ FURTER, Pierre. A Dialética da Esperança. Uma interpretação do pensamento utópico de Ernst Bloch. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 1974.

∗∗ MARCONDES, Maria Inês. O papel Pedagógico-político do professor: dimensões de uma prática reflexiva. Revista de Educação AEC, n. 104/1997

 

Sebastião Jacinto dos Santos

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