Analisando o verdadeiro sentido do poder Itajaí, Santa Catarina

Compreenda quais são as atitudes de liderança. Entenda também quais tipos de estruturas hierárquicas que prejudicam o bom andamento das equipes. A psicóloga Sandra Regina define o 'o verdadeiro poder' organizacional.

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Analisando o verdadeiro sentido do poder

Segundo James Lucas, em seu livro "Balance of Power", as formas mais usuais de abuso do poder são:

Tendência a ceder à personalidade mais forte - As equipes podem ser manipuladas pelas pessoas que têm personalidade dominadora. Então, nada de novo acontece, porque a maioria dos membros da equipe limita-se a seguir a liderança.

Contribuições desequilibradas - Uma boa equipe deve ser composta de personalidades variadas, onde todos os membros tenham a chance de contribuir com uma grande diversidade de opiniões.

Crítica destrutiva - A crítica destrutiva ataca as idéias que estão nascendo e diverge de tudo o que difere de si mesma, da forma como as coisas costumavam ser feitas ou de idéias provenientes de alguém considerado uma ameaça. Não devemos achar que só nós temos as respostas certas. Devemos aceitar a possibilidade de mudarmos de opinião e de reconsiderarmos o nosso ponto de vista ao vermos sentido numa idéia oposta à nossa.

Estrutura hierárquica - Uma pessoa não é mais importante do que a outra, a não ser que esteja continuamente dando contribuições muito importantes quando, então, torna-se importante pelas contribuições que dá e não por sua posição hierárquica. As pessoas que têm problemas em lidar com o poder recorrem com freqüência ao seu título e sua posição hierárquica. As pessoas que lidam com o poder de forma eficiente e para benefício de todos raramente recorrem à hierarquia. Elas não precisam disso, porque expressam o poder através dos seus atos e não de suas palavras.

Ambiente de medo - Existe um provérbio que diz: "quando os fracos sobem ao poder as pessoas se escondem." Esta atitude descreve o medo e a insegurança que toma conta da equipe quando os comentários depreciativos, a crítica, a ridicularização em público e a desmoralização tomam conta do ambiente. Os resultados são: o desinteresse, a falta de motivação, poucas contribuições e ausência. Os líderes precisam ser avaliados pela sua capacidade de afastar o medo e de fazer com que as pessoas se expressem de forma corajosa, sem temer a rejeição ou a depreciação de suas idéias.

Falta de diálogo - Pessoas precisam ser treinadas para o diálogo: ele é uma via de mão dupla e devemos escutar com toda a nossa atenção. É necessário treinamento em comunicação, colaboração, negociação, planejamento, continuidade e resolução de problemas.

Ênfase incorreta na lealdade e na cooperação - Quem é mais leal? A pessoa que se deixa lançar no abismo sem protestar ou aquela que fica gritando conosco até que paremos? A verdadeira lealdade consiste em fazermos o que é melhor para a organização, mesmo que isso aborreça algumas pessoas. Nunca faça com que a discordância de alguém pareça uma deslealdade. E atenção às decisões erradas que aparentemente são leais.

Ignorar que todos são responsáveis pelo resultado final - Todos são responsáveis pelo comportamento de todo o grupo ao qual pertencem. Escolher um bode expiatório e culpar alguém pelo fracasso destrói a interdependência.

Falta de visão clara e indefinição do que é esperado - As pessoas precisam ter uma visão clara do que é esperado delas, das metas e da visão comum. Se isso não acontecer, elas ficam para trás, interrompem com freqüência o trabalho no meio do caminho e esperam pelas ordens superiores.

Fazer segredo das atividades e punir pessoas que falam a verdade - Esconder a verdade e não passar as informações para as pessoas é uma forma de abuso de poder. Quando as pessoas são punidas por falar a verdade está sendo dito a elas que não se acredita na verdadeira organização. A interdependência só pode existir onde houver verdade e confiança mútua. Nós precisamos escutar as verdades com humildade e paciência, mesmo aquelas que são difíceis de aceitar, e não nos esconder atrás da arrogância e da maldade. As pessoas precisam poder dizer aquilo que sentem, precisam expressar-se os seus questionamentos e dúvidas, admitir seus erros e falar sobre qualquer assunto - mesmo aqueles que forem fora do comum - sem se sentirem envergonhadas ou serem acusadas por isso.

Falta de responsabilidade - As pessoas que estão em posição de poder são responsáveis pela forma como o usam. Existe muita verdade no dito: "O caráter é conhecido pelos atos escondidos". Ele é conhecido também pelos atos que fazemos às claras e pela forma como reagimos quando nossos atos escondidos são trazidos ao conhecimento de todos.

Excesso de regras - O excesso de regras é um sinal de fossilização e da morte da alma da organização. A interdependência está baseada num novo sistema de apoio mútuo, onde a monitoração, a direção e o controle foram substituídos pelo auto monitoramento, auto direcionamento e auto controle.

Cinismo - Ao olharmos ao nosso redor podemos observar que existe muito cinismo - pessoas saturadas, descontentes e pessimistas acerca do futuro. O cinismo é muito destrutivo. O perigo do cinismo é que os cínicos não cuidam de melhorar as coisas. Apenas se queixam. Se não tivermos cuidado, podemos rapidamente ser rodeados por cínicos que nos aprisionam na sua forma de ver o mundo. A única maneira de nos livrarmos do cinismo é termos a nossa missão e a nossa visão bem definidas e princípios e valores bem sólidos.

Hipocrisia - Uma coisa é falar, outra é fazer. A hipocrisia acontece quando dizemos uma coisa e fazemos outra.

O Sentido Verdadeiro do Poder:

• É construtivo e que gera a interdependência.

• Baseia-se na verdade e na sabedoria.

• Está voltado para o bem da organização e não se sujeita às ambições pessoais.

• Baseia-se na colaboração, no consenso e nas parcerias.

• Inspira, dignifica e beneficia a todos.

• É flexível e está sempre pronto a ceder quando encontra um plano melhor do que o seu.

• Não é político e que evita partidos e facções.

• Baseia-se no discurso e na prática honesta.

• É gentil, humilde e bondoso.

• Tem foco em ser justo e que tem a coragem de desmontar uma estrutura inteira para refazê-la de modo melhor.

• Gera resultados positivos e que cura a organização.

A verdadeira Liderança está dentro de cada indivíduo comprometido com um propósito, visão e missão abrangentes. Neste sentido, é necessário investigarmos e investirmos em competências duráveis, como atitudes e posturas.

A complexa temática da liderança, numa referência fantástica, é apresentada por Charles F. Kiefer, através de três áreas principais:

1. O líder detém a custódia ou está a serviço da visão da organização, sendo um catalisador da visão coletiva, originada de seus próprios membros.

2. O líder capacita e treina os outros para que eles próprios criem o que eles desejam, isto é, vai além da simples aquiescência para uma legítima adesão (liberdade de criação).

3. O líder é um criador de estruturas, conservando e moldando canais para a energia criativa de todos na obtenção de resultados com os quais estão comprometidos. São exemplos de estruturas numa organização: cargos/funções, gratificações, metas, crenças, valores, hábitos, informações, processos físicos, etc.

Atitudes de Liderança

Podemos considerar que liderar e ser liderado são os dois lados de uma mesma moeda. Exercitar a verdadeira liderança é algo que a todo o momento estamos vivendo, estejamos ou não conscientes disso. Não é possível viver, existir, sem que, de algum modo estejamos respondendo a, ou exercendo alguma forma de liderança.

Toda e qualquer pessoa é um líder em potencial e que liderar significa saber atuar e saber seguir a orientação intuitiva que nos chega de níveis mais profundos do nosso Ser. Estaremos liderando e orquestrando a nossa vida de uma maneira mais congruente com o que realmente somos e com o que queremos co-criar com o mundo que nos cerca.

Líder Ativo - é aquele cuja atuação é visível e pragmática. É a pessoa que age diretamente, deliberadamente, toma decisões concretamente.

Líder Receptivo - é aquele que faz a polaridade complementar e direta com o líder ativo, respondendo com sua receptividade e seguindo conscientemente aquilo que a energia intuitiva torna evidente através do líder ativo. Ele pode questionar, sugerir, fazer propostas e participar a partir de um estado de atenção que é o de quem lidera quando sabe seguir. O líder receptivo sabe quando entrar para em parceria com todos os outros da equipe.

Líder Apoiativo - é aquele cuja atitude, muitas vezes silenciosa, reflete a condição de quem se posiciona para estar consciente do todo, além da dualidade e dos pares de opostos. Ele consegue compreender os vários papéis dentro de si. Sua atitude é a de quem apóia, incondicionalmente, o que quer que esteja acontecendo agora e aqui, livre da necessidade de julgar ou avaliar. É aquele em que se está consciente de sua unidade com o todo.

A essência da liderança está no sutil, invisível e só é possível praticar, sentir e intuir. Quando estamos conscientes dessas possibilidades de liderança, e, principalmente, quando passamos a integrar essas atitudes em nosso ser. E então podemos experimentar a natural revelação da parceria externa, na convivência e interação com as demais pessoas e grupos, como uma extensão da parceria interna. Pois a cada atitude, cada ação interna corresponde uma atitude, uma ação externa e vice-versa.

"Os nossos pensamentos geram a nossa atitude,

a nossa atitude torna-se o nosso comportamento,

o nosso comportamento é a forma como tratamos os outros,

e como tratamos os outros é o que nós pensamos de nós mesmos." (Kaylan Pickford).

Sandra Regina da Luz Inácio

•PhD em Administração de Empresas pela Flórida Christian University (EUA)
•PhD em Psicologia Clínica pela Flórida Christian University (EUA)
•Psicanalista e Diretora de Assessoria Geral da Sociedade de Psicanálise Transcendental.
•Mestre em Administração de Empresas, Especialista em Estratégias de Marketing em Turismo e Hotelaria, MBA em Gestão de Pessoas e Especialista em Informática Gerencial.
•Psicanalista voluntária na Casa de Apoio à Criança Carente com Câncer e na Universidade da Terceira Idade.
•Professora da FGV do Rio de Janeiro e de mais 03 universidades.
•Empresária no ramo moveleiro
•Responsável e Membro do Conselho Editorial da Revista Empresa Familiar.
•Coordenadora do grupo de Excelência de Empresa Familiar do Conselho Regional de Administração de São Paulo - CRA.
•Diretora da DS Consultoria S/S Ltda, especializada em Empresas Familiares.
•Conciliadora, Mediadora e Árbitra Empresarial.
•Membro do Conselho Editorial e responsável pela Revista Empresa Familiar.
•Autora do livro O Perfil do Empreendedor e co-autora do livro Empresa Familiar: Conflitos e Soluções, juntamente com Domingos Ricca, Roberto Gonzalez e José Bernardo Enéas Oliveira.
•Vários artigos publicados na área de Administração e Psicanálise em revistas especializadas.

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