A mitologia antiga do Egito Patos, Paraíba

Panorama geral sobre a influencia da mitologia. Influencia da religiosidade no cotidiano da sociedade. Artigo sobre contexto do Egito Antigo. A importancia do Rio Nilo. Mitologia Egipicia. A civilizacao do Egito

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A mitologia antiga do Egito

A Mitologia na Sociedade do Egito Antigo

Ana Paula Campos Marques[1]

Resumo: Panorama geral sobre a influência da mitologia e da religiosidade no cotidiano da sociedade no contexto do Egito Antigo.

Palavras chave: Egito; mitologia; religião; sociedade.

Este artigo tem como meta analisar a influência da religiosidade, incluindo mitos, rituais, crenças, no contexto do Egito Antigo. Outro objetivo é observar como a sociedade se moldou de acordo com as características dos deuses adorados, e em que aspectos a religião se confundia com outros fatores, como política e economia.

O primeiro passo é definir o conceito de mitologia, que é o conjunto de mitos de determinada cultura que busca explicar suas origens. No caso da mitologia egípcia, além da justificativa das origens, esse conjunto de mitos visava “explicar acontecimentos da natureza que escapavam à razão humana” (MATIUZZI, 2005), e respondia como era possível a vida existir e se manter no mundo. Para vários autores, conhecer a mitologia egípcia é compreender a sociedade da época, e vice-versa.

Assim como em diversas outras civilizações, para os egípcios, o mundo se originou do caos, e dele só foi salvo pela interferência dos deuses-criadores, que variavam de região para região, de acordo com as características do grupo ali instalado, mas havia quase que unanimidade quando o assunto era o deus-supremo, Rá, o deus-sol.

Essa variedade de deuses e as características que eles absorveram e perderam com o tempo faz da mitologia egípcia a mais complexa de todas. Essas mudanças no perfil das deidades ocorreu pelo fato de a sociedade refletir na religião as dificuldades, os atributos e as necessidades da época. É quase como se os deuses adquirissem as formas que o povo precisava para a resolução de seus problemas. Esses deuses muito raramente protagonizam histórias completas, com começo, meio e fim.

A civilização do Egito atribuiu ao Sol o título de deus-supremo por acreditar que dele emanava a energia que servia de base para a vida. Rá foi adorado em praticamente todo território egípcio, o que era muito raro para um deus. Ele se manifestava de várias maneiras: como o pássaro Benu[2], como o escaravelho Khepri[3], ou como um homem com cabeça de carneiro chamado Atum, por exemplo. Essa característica dos deuses egípcios de adotarem formas antropozoomórficas[4] fez com que o país adorasse um imenso número de espécies animais, geralmente comuns na região do Nilo, como o touro Ápis, a cobra-naja (enquanto deusa Uadjit), a vaca (enquanto a deusa Nut), o gato (enquanto a deusa Bastet), o crocodilo (enquanto o deus Sobek), dentre muitos outros.

Os egípcios davam tanta importância aos animais, que isso chegava a influenciar as relações diplomáticas com outros países, como a Grécia, por exemplo. Nenhum egípcio jamais beijava a boca ou compartilhava suas facas com um helênico, pois os gregos consumiam carne de boi, vaca e de novilha[5], que eram sagrados na terra do Nilo por representarem seus deuses. Ao mesmo tempo em que alguns animais eram sagrados (alguns tão sagrados que eram mumificados após a morte), outros eram impuros, como o porco, que era utilizado apenas para sacrifícios. Só o fato de um homem ser criador de porcos[6] já o tornava indigno de coexistir com os outros homens. Também por servirem apenas para fins de sacrifício, os egípcios jamais comiam a cabeça de qualquer animal.

Uma característica muito forte da civilização egípcia foi a preocupação com a morte. Há quem diga que eles passavam a vida planejando a morte, mas não era bem assim. Na realidade, os egípcios se preparavam durante toda a vida para serem merecedores de viver uma vida eterna ao lado dos deuses após o fim de sua existência terrena. Para eles, a vida nada mais era do que uma passagem, e, para isso, depois de mortos, eles precisavam do corpo conservado e de seus bens pessoais para a vida que se seguiria: “Morte: uma transição exigida pelos deuses a fim de se alcançar uma nova vida, desta vez perfeita e eterna, qual a vivida por eles” (MATIUZZI, 2005, p. 75). A primeira necessidade era satisfeita através da mumificação, enquanto a segunda era realizada através da construção de tumbas suntuosas para guardar as posses do morto, como as mastabas[7], as pirâmides e os hipogeus[8].

Era principalmente no processo de construção das tumbas que a escrita se tornava cada vez mais necessária. Para “encaminhar” e “encomendar” a alma do morto, a fim de que ele alcançasse efetivamente a vida eterna, em sua tumba eram gravadas mensagens religiosas em nome dos deuses e em favor do falecido. Essas mensagens eram gravadas com os famosos hieróglifos[9] pelos escribas.

Os escribas eram profissionais que se dedicavam exclusivamente à arte da escrita egípcia. Eles detinham tanto poder e tanto prestígio na sociedade do Egito Antigo que eram considerados verdadeiros mensageiros dos deuses na terra. Eram responsáveis pelas escrituras sagradas[10], pela gravação de mensagens nos templos e tumbas, pelas descobertas científicas, dentre outras funções.

O povo egípcio foi responsável por inúmeras descobertas no campo da ciência, que chegaram até nosso tempo através do trabalho árduo dos “sacerdotes da escrita” [11]. Muitas dessas descobertas moldaram a sociedade de tal forma que sofreram pouquíssimas alterações com o decorrer dos anos. O exemplo mais formidável é o calendário com 365 dias. Feito com base nos ciclos da lua e sua influência na agricultura[12], o calendário, num primeiro momento, tinha seu início no mês que hoje chamamos de junho e apenas 360 dias. Os egípcios perceberam que cinco dias ficavam “soltos” entre um ano e outro, e determinaram que esses cinco dias deveriam ser dedicados à festivais[13] em honra dos deuses, e foram os primeiros em todo o mundo a instituir festas, procissões e oferendas a deidades.

É impossível falar do Egito sem citar a importância do Rio Nilo para aquela civilização. O regime de cheias do rio mais extenso do mundo foi fundamental para a instalação de grupos humanos às suas margens. Segundo Heródoto, “o Egito é uma dádiva do Nilo”, pois a existência da agricultura, vital para a sobrevivência de qualquer povo, só foi possível no meio do deserto graças ao rio, que foi tão significativo para os egípcios ao ponto de ser refletido em uma deidade: o deus Hapi, responsável pela manutenção da vida no Egito. Os próprios animais que viviam no rio, como o crocodilo, o hipopótamo e as cobras foram, também, endeusados.

O governante do Egito era considerado um deus vivo na Terra. Segundo a mitologia, o faraó era o próprio deus Hórus enquanto herdeiro de Rá[14], e a Rainha, uma filha de Ísis[15], motivo pelo qual o casamento entre irmãos da realeza era permitido, a fim de manter a pureza do sangue real. Além de ser o líder político do país, o faraó era, também, o líder religioso do povo, e era o único capaz de se comunicar diretamente com os deuses. Por essas e outras razões, o monarca egípcio era venerado pelo povo, que ansiava que o faraó antecedesse pelo país ante as deidades.

Os egípcios nunca foram uma civilização machista. Esse fato é comprovado pela existência de deusas tão ou mais importantes que deuses, e por não haver uma divisão de trabalho discriminatória no país. A deusa mais importante da mitologia egípcia foi, sem dúvida, Ísis, a mãe de Hórus. Ela zelava pela família e era considerada a maior das mães, assim como a Virgem Maria na sociedade ocidental atual. Foi tão idolatrada no Egito Antigo que os romanos, após dominarem a região do Nilo, com Otávio Augusto, adotaram a figura da deusa em sua própria mitologia. A família de Ísis, formada por ela, seu marido Osíris[16] e seu filho Hórus formaram a principal Tríade Egípcia, que foi adorada em praticamente todo território.

Os egípcios perduraram por mais de três mil anos e foram responsáveis por um verdadeiro império religioso e científico. Criaram os primeiros princípios da matemática, da astronomia, da agrimensura e da medicina, além de desenvolverem uma escrita extremamente rica e complexa. E nesse ambiente mítico e fascinante, repleto de deuses e lendas, a mais duradoura civilização que o planeta já conheceu teve cenário.

Referências

BULFINCH, Thomas. O livro de ouro da mitologia: histórias de deuses e heróis. Trad: Luciano Alves Meira. São Paulo: Martin Claret, 2005.

HERÓDOTO. Livro II, Euterpe. In: Histórias. Lisboa: Edições 70, 2001.

MATIUZZI, Alexandre Augusto. Mitologia ao alcance de todos: os deuses do Egito Antigo. São Paulo: Hélade, 2005.

MORAIS, Cynthia. Maravilhas do Mundo Antigo: Heródoto, Pai da História? Belo Horizonte: Editora UFMG, 2004.

SHAFER, Byron. As Religiões no Egito Antigo. SP: Nova Alexandria, 2002.

[1] Graduanda do 3º período de História do Centro Universitário de Belo Horizonte – UNI-BH. Trabalho para a disciplina Etnohistória, ministrada pelo professor José Humberto Rodrigues.

[2] Pássaro mitológico semelhante à garça-real, chamado de fênix pelos gregos.

[3] Inseto da família do besouro muito comum no Egito, representava o Sol nascente.

[4] Que tem aspecto humano e animal, simultaneamente.

[5]A novilha era sagrada por ser uma das formas que a deusa Ísis, a mais importante da mitologia egípcia, tomava.

[6] Um criador de porcos só podia se casar com uma mulher criadora de porcos, e os seus filhos deveriam herdar sua profissão.

[7] Uma espécie de pirâmide cortada, sem o topo.

[8] Tumbas esculpidas na rocha, funcionavam como galerias funerárias. O Vale dos Reis é o mais famoso exemplo de conjunto de hipogeus.

[9] Unidades da escrita egípcia de origem pictográfica.

[10] O mais famoso exemplo é o Livro dos Mortos, que continha as instruções para alcançar a vida eterna ao lado dos deuses.

[11] Escribas.

[12] Através do regime de cheias e secas do Rio Nilo.

[13] O historiador grego Heródoto relatou que em honra de Bastet, 700 mil peregrinos viajaram até Bubástis para o festival em nome da deusa. Apesar de ser um número exagerado, estudiosos, como Júlio Graha, falam em 70 mil pessoas, o que não deixa de ser um número significativo.

[14] Originalmente, o pai de Hórus, Osíris, deveria ser o herdeiro do deus-sol, mas, ao ser assassinado pelo irmão invejoso, Set, seu filho legítimo, o deus-falcão Hórus herdou seu lugar no trono.

[15] Era a maneira preferida pela qual a rainha Cleópatra VII, a última a governar o Egito antes do domínio romano, gostava de ser referida.

[16] O deus da agricultura e dos mortos. 

Ana Paula Campos Marques

Graduanda do 3º período de História do Centro Universitário de Belo Horizonte – UNI-BH. Trabalho para a disciplina Etnohistória, ministrada pelo professor José Humberto Rodrigues.

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