A indentidade Cultural Rio Branco, Acre

E em todos os setores a imposição pelo o bom e o idêntico se proliferou. A indústria do idêntico e do belo é também a diversificação dos mercados dessa cultura de massas. A educação pela arte é um processo de conscientização de cada um de nós, veja mais sobre arte e cultura...

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A indentidade Cultural

A arte como cognição é sem dúvida um tema pertinente para as nossas discussões acadêmicas e por que não dizer profissionais quanto educadores e formadores de opiniões. O Aurélio diria que cognição é ato de conhecer, perceber. E a Indústria Cultural mais do que nunca é um meio de esclarecimento como mistificação das massas e importante para o entendimento do mundo capitalista e suas manifestações ditatoriais nos mercados da música, filmes, programas televisivos, mídia impressa. Esse esclarecimento começa com os meios de comunicação como, cinema, rádio, televisão e as revistas de seus mais variados públicos. Constituem um verdadeiro sistema onde cada setor é responsável em sua célula por si e em seu conjunto de células por todos. O que quer dizer, que apesar de setorizados os seus nichos, suas manifestações estéticas ditam ritmos conssonantes. O fato de milhares de pessoas participarem dessa indústria, a imposição pela igualdade de necessidades desses milhões é cada vez mais poderosa. Esse domínio segundo, Adorno e Horkheimer (1945, p.114) é pela racionalidade técnica como objeto da própria dominação da cultura de massas∗. O bom é o idêntico. A totalidade do bom é o idêntico se notabilizou e permeou o mundo com a imitação. Esse pensamento de uniformidade da Indústria Cultural é regido e constituído de vários valores materiais e sociais. Como por exemplo, uma apreciação do que as outras pessoas apreciam é ser bom também. Possuir, ter o que as outras pessoas têm é ser bom. O parecer é bom.

E em todos os setores a imposição pelo o bom e o idêntico se proliferou, hoje e ontem. Na música, nos filmes, nos programas de televisão e de rádio, essa totalidade perpetua a Indústria Cultural. Chegando a um ponto que o todo e o detalhe são imperceptíveis em suas nuances. Sua harmonia é estabelecida pela ligação do todo e do detalhe com os mesmos traços e objetivos de uma grande obra: a falta de oposição. A pretensão aqui seria, então, o domínio da arte pela ideologia. Essa idéia da verdadeira universalidade das obras de artes desde a baixa Idade Média até os dias atuais e institui e transmite uma espécie de identidade com o espectador ou o ouvinte. Do pictórico ao sonoro, a imitação do bom e do belo passa a ser verdade para os consumidores. Uma espécie de lei universal do Capitalismo. O homem consumindo o homem nos seus mais variados matizes e em seus mais pertos e longínquos nichos.

E a ditadura da Indústria Cultural liberta o corpo para o bem viver, passear, ouvir, cantar, dançar, andar e aprisionar a mente, a alma para consumir, comprar, consumir, comprar e influenciar mais e mais o denso universo das leis do capital. Segundo Karl Marx, a produção e suas relações, criação humana, regem o homem em lugar de estarem subordinadas a eles. Marx em O Capital diz que a simplicidade em que os meios de produção e os seus fins - o produto - estão regendo as vontades das massas. Isso é peri-

goso. Em longo prazo verem-se os endividamentos e o consumo excessivo e compulsivo no ter. Essa indústria é a verdadeira diversão em espírito num corpo pretensamente e propositadamente livre para o domínio do menor esforço intelectual. Seja no cinema e em seus filmes patéticos, seja no rádio e em seus programas de uma única via, ou seja, nas revistas e em seus espelhos do belo e auto suficientemente narcisistas. A Indústria Cultural transformou o homem num sujeito genérico. Como se todos os remédios de farmácia hoje, não tivessem seus nomes fantasias: Cataflan, Lorax, Ferrison, Merthiolate e Gelol. E passassem a se chamar por um único nome e uma única indicação: homem-filme, homem-rádio, mulher-novela, mulher-revista, homem-qualquer outra denominação, pela etnia ou lugar que nasceram, mas sempre o genérico na frente. Seria a uniformização dos gostos, independente de onde esteja ou chegue no mundo.

A indústria do idêntico e do belo é também a diversificação dos mercados dessa cultura de massas. Mozart e Axé Music, os dois vendem por terem mercados, não por serem diferentes, ou distantes culturalmente. Não importa o gosto, nem o preço, o Capitalismo visa o lucro com sua inocente presença em qualquer loja de bugiganga. A determinação do capital é tamanha que mais cedo ou mais tarde, comprarão ou consumirão produtos A ou B por imposição da ideologia dominante, de quem tem, de quem mostra ou até mesmo de quem assisti a um simples comercial de TV.

A lei do consumo se consagra como técnica eficiente da compra. Talvez, nem a usem, mas aquela camiseta será deles por imposição de uma massa compradora. Os modelos de capas de revistas e de televisão sempre os ajudarão a escolher independentemente da vontade deles. Dominando o corpo que está cada vez mais genérico como o do seu vizinho. A liberdade será dominada num simples ócio do espectador. À medida que o tempo passa, a diversão em todas as suas esferas com o seu carro, suas roupas, suas férias, até mesmo no corte de cabelo a Indústria Cultural impõe, evitando o pensamento crítico e transformando o intelecto numa massa não-reclamante e muda diante dos fatos que passam como um vídeo-clipe. Um dado interessante do texto é o exemplo dos fascistas lançarem no alto-falante uma palavra e no outro dia o país inteiro estará repetindo. Uma relação bem atual são as novelas ou programas de televisão lançarem palavras ou frases que no outro dia o povo brasileiro estará falando com orgulho, por imposição da mídia - Indústria Cultural - e todo mundo quererá fazer parte do show.

Segundo Walter Benjamim (1986, p.168) a reprodutibilidade técnica atrofiará a aura da obra de arte∗. Claro, a espinha dorsal do rádio, do cinema, da televisão e de seus programas fatídicos, são clichês dessa estrutura imutável contra a autenticidade da obra, atentando contra sua aura. Faz desaparecer sua autoridade efêmera e de seu peso tradicional ou milenar.

A cultura popular no Brasil está indo por o caminho da efemeridade, da passagem, até mesmo da extinção sem ao menos ser descoberta por seu povo. A mídia impressa e televisiva das sociedades de espetáculos no Brasil está tratando nossa cultura como interessante mercadoria para estrangeiro ver. Sabe-se que os brasileiros não a conhecem. Caso as culturas populares fossem impulsionadas nesse país, mas de um modo completo e não as tratando como exóticas, tenho certeza que O Bumba-Meu-Boi, A Burrinha, A Folia de Reis, A Catira, O Maracatu, O Cacuriá, O Forró e várias outras manifestações culturais brasileiras estariam verdejantes e maduras em nossas almas em breve espaço de tempo e verdadeiramente preservadas. Metáforas de nossa cultura.

A metáfora e as preocupações estéticas orteguianas em A Desumanização da Arte é um ponto bastante interessante. Um pensamento muito atual de Ortega y Gasset (1925, p.47) é que estilizar significa: deformar o real. A estilização implica a desumanização∗. Pensa-se, também, que estilizar a cultura popular é um processo já em andamento e suas transições são verdadeiramente visíveis na música, no cinema, no rádio e na televisão. A deformação do real para se adequar ao imitativo e não se perder mercado é um bom indício dessa desumanização. Os efeitos sociais dessa prática são devastadores no sentido do trabalho e do lazer, como se a preocupação do primeiro fosse relaxamento e despreocupação no segundo. Ou melhor, a figura do entretenimento entraria como fator estético de uma dominação não questionável. E a obra de arte em suas estruturas estaria fadada ao repetitivo como universo imutável de uma cultura que vende o certo e o bom. Exemplos de metáforas têm O Carteiro e o Poeta um filme de temática metafórica com um enredo da vida de um poeta, Pablo Neruda, mas extremamente evasivo e imaginário de uma estilização real. Ao contrário, temos filmes sem poesia e sem metáfora que são fatalmente assistidos e vendáveis, onde o espectador não precisa subtrair e nem somar coisa alguma. Feito um rio estanque e uniformemente criado e nulo para o espectador se distrair e descansar do seu cansativo dia-a-dia.

Segundo Dewey (1957, p.248) um rio enquanto distinto de um reservatório flui. As organizações divulgadoras da cultura são um reservatório, estancam o fluxo da cultura que deveria seguir seu rumo, sem sofrer dissipações e limitações em suas ramificações e abrangências. A educação pela arte seria o rio. Espalhando-se por toda as margens da sociedade como um divulgador de fluxos existentes e latentes por todo um caminho semidemarcado. A arte-educação, hoje, é um rio no contexto escolar, principalmente nas escolas públicas. Por exemplo, se faz um teatrinho para se fechar uma comemoração e se acredita que o teatro enobreceu e enriqueceu aquele momento "especial". Esquece-se que o teatro é um meio e um fim. E o processo dessas chegadas não foi concatenado e nem refletido com os alunos. Com efeito, nos parece um programa de rádio ou de televisão. Extremamente idêntico.

A educação pela arte é um processo de conscientização de cada um de nós, mas que deve ser novamente sujeitado aos professores, alunos, comunidade escolar e arte-educadores. Se o fio condutor da arte não for conectado de uma maneira eficiente, estaremos sujeitos a biparti-la entre conhecedores e ignorantes. Dewey diz que a arte não é livre expressão. É conhecimento, cognição, percepção, portanto. Estamos então digladiando com o óbvio e estabelecendo conflitos com nossas políticas públicas e fazendo desaparecer nosso maior patrimônio: a cultura. Se a verticalização da cultura fosse melhor para as nossas escolas, grupos culturais e centros de fazer cultura nesse país, não teriam tantos problemas com divulgação, distribuição, o acesso da cultura em si, o conhecimento de percepção da música, do cinema, da pintura, do teatro, enfim de um núcleo serio de governo para sairmos desse limbo cultural.A horizontalização desse conhecimento seria a prática mais viável. A arte como experiência viria de um trabalho horizontal harmônico desde as primeiras séries iniciais até à universidade.

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∗ Adorno-Horkheimer. Dialética do Esclarecimento. A Indústria Cultural, 2ª ed.

∗ Benjamin, Walter. Magia e Técnica, Arte e Política.Ed. Brasiliense, São Paulo, 1986.

∗ Ortega y Gasset, José. A desumanização da Arte: tradução de Ricardo Araújo. Cortez, São Paulo, 1999.

∗ Dewey, John. A Arte Como Experiência, Abril Cultural, São Paulo. p.248.

Franc.o Ferr.a

Formado em Artes Cênicas pela UnB e pós-graduando em Artes pela UnB e professor da SEEDF há 13 anos.

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