A Necessidade De Modernização Dos Processos Seletivos Brasília, DF

O vestibular é uma das etapas mais massacrantes e potencialmente frustrantes na vida dos jovens brasileiros. O novo vestibular proposto pelo MEC, que avaliaria os estudantes por outros aspectos, não por sua capacidade de memorização. Leia mais sobre este assunto.

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A Necessidade De Modernização Dos Processos Seletivos

O vestibular é uma das etapas mais massacrantes e potencialmente frustrantes na vida dos jovens brasileiros. Alguém que pretende, hoje, entrar em uma boa faculdade e em um bom curso, deve inevitavelmente estar disposto a uma jornada de várias horas de estudos por dia, além de um “bombardeio” de aulas e informação, muitas delas totalmente desnecessárias.

Hoje não se leva em conta a capacidade intelectual do estudante, sua rapidez de raciocínio e habilidade para resolver problemas práticos, mas sim sua paciência em suportar um martírio de vários meses ou anos privada de sua vida social e sua capacidade de memorização, que é uma abordagem ilógica e injusta de avaliação dos conhecimentos. O perfil dos acadêmicos das melhores universidades do país reflete esta “auto-exclusão”; na grande maioria são pessoas introvertidas, com dificuldade de manter relações interpessoais duradouras e de se expressar publicamente. Num mundo onde a desenvoltura e a boa oratória são imprescindíveis, é paradoxal essa posição das universidades, o que comprova ser o atual modelo de seleção universitária totalmente antiquada.

Outro aspecto que merece destaque é o caráter exclusivo dessas avaliações. Apenas uma pequena parcela dos estudantes de alto nível, digamos assim, conseguem garantir sua vaga na universidade, muitos acabam ficando pelo caminho ou por deficiência do número de vagas oferecidas, ou simplesmente por desestimulo decorrente dessa jornada cansativa de estudos. Isso representa um enorme desperdiço para a sociedade e para a ciência como um todo e aumenta o déficit de profissionais em várias áreas. Uma das saídas para absorver esses estudantes privados seria seu ingresso em uma universidade privada, porém, nem todos têm condições de pagar por esses serviços, ou pelo verdadeiro curso pretendido.

O governo tem tomado algumas iniciativas nesse sentido, que apesar de atrasada, é sempre bem vinda. O novo vestibular proposto pelo MEC, que avaliaria os estudantes por outros aspectos, não por sua capacidade de memorização, é um grande passo nesse sentido, pois é mais condizente com a realidade e faz prevalecer realmente os mais capacitados. As provas irão constar de 200 questões de múltipla escolha divididas em quatro áreas (ciências naturais e humanas, linguagens e matemática), além de uma redação aplicada em dois dias de provas. Os problemas priorizarão a capacidade de interpretação e o rápido raciocínio do aluno, além de ser menos desgastante.

Esse novo modelo de vestibular também permite que os alunos possam “escolher” o curso e a faculdade que pretende cursar de acordo com sua nota, dando uma visão mais realista de suas possibilidades de sucesso. Porém, normalmente os alunos que saem para fazer um curso em outro estado são os pretendentes ao curso de Medicina ou Direito, portanto esse modelo irá priorizar essa categoria.

O PROUNI que distribui bolsas em faculdades particulares a estudantes de baixa renda também é uma ótima saída, porém ainda precisa ser aprimorado, pois ainda há problemas de fraude e desorganização nos critérios de triagem.

Portanto o Brasil precisa urgentemente modernizar o critérios de seleção dos alunos nas faculdades, sobretudo públicas. Deve ainda priorizar um modelo que garanta uma maior inclusão nessas universidades. Essas devem ser as novas diretrizes para o vestibular.

Diogo Fontes

Acadêmico de Medicina da Universidade Federal do Maranhão.

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