A Disseminação Da Cultura Do Medo Vitória de Santo Antão, Pernambuco

Não há duvidas de que a sensação de insegurança e de medo produz uma alteração significativa no comportamento social. Desse modo, deve-se questionar quem se beneficia com a propagação da “cultura do medo”. Analise o artigo abaixo.

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A Disseminação Da Cultura Do Medo

A DISSEMINAÇÃO DA CULTURA DO MEDO

Não há duvidas de que a sensação de insegurança e de medo produz uma alteração significativa no comportamento social. Desse modo, deve-se questionar quem se beneficia com a propagação da “cultura do medo”. Essa perene sensação de insegurança não estaria sendo usada como ferramenta para moldar o senso coletivo e assim poder manipular todo um país com mais facilidade?

Podemos perceber que a utilização do medo se dá de forma diversificada e na maioria das vezes é provocada propositadamente para o controle social. É o medo incutido em cada indivíduo e na coletividade, sendo usado em campanhas eleitorais, pela imprensa especializada em mazelas, empresas de segurança privada, companhias de seguro e até milícias que além de despreparadas para oferecer serviço de segurança, não agem em conformidade com a lei.

O pensador romano Lucius Caelius Firmianus Lactantius há apenas 300 anos depois de Cristo já havia constatado que “Onde o medo está presente, a sabedoria não consegue estar”. Mas ainda hoje é fácil perceber países inteiros movidos pela cultura do medo. Com a desculpa de estarem em alerta total, sob a batuta de seu presidente, em setembro de 2001 os Estados Unidos lançaram sua guerra global contra o terrorismo.

As forças militares e de segurança capturaram, detiveram, interrogaram e eliminaram milhares de supostos terroristas em dezenas de países. Centenas de homens permanecem reclusos sem assistência legal e sem a proteção das Convenções de Genebra para prisioneiros de guerra, na base naval dos EUA na Baía de Guantânamo. Ironicamente essa afronta às convenções internacionais e violência contra os direitos humanos foi batizada de “Justiça Infinita”.

Ainda assim boa parte dos cidadãos americanos questionados, diziam serem justificáveis os abusos praticados por parte de seus representantes, o que nos leva a crer que o medo, quando socialmente propagado, diminui ou extingue o senso crítico daqueles que o dividem, tornando favorável uma dominação baseada nesse sentimento.

No Brasil, a sensação de insegurança se refaz a cada dia com a divulgação dos eternos conflitos do Estado com o tráfico de drogas e todo tipo de violência que horroriza e ao mesmo tempo entretém os brasileiros, gerando assim um problema maior que a própria sensação de insegurança, que é a sensação de desorganização de toda a sociedade.

Sabe-se que para que tenha assegurada sua existência, qualquer agrupamento social politicamente organizado deve ter um mínimo de organização, mediante a institucionalização de um ordenamento jurídico em que se encontram as normas postas por aqueles aos quais se confiou o exercício da autoridade.

A colisão entre a sensação de desorganização da sociedade e das normas postas, acaba por gerar a insatisfação de parte da sociedade para com a legislação (principalmente a penal), que busca por meio de seus legisladores, muitas vezes, pessoas que não têm condições sequer de entender seu papel na manutenção do Estado Democrático de Direito, um endurecimento da legislação, como se esta fosse a resposta para o problema social. No entanto, a resposta não deveria ser o endurecimento da legislação penal, porque combater a violência com medidas violentas não é a melhor forma de se estruturar as relações em uma sociedade. Na verdade, o crime só recua diante da certeza da punição.

Além do mais, quando nos lembramos da frase do chanceler alemão Otto Von Bismarck sobre como são elaboradas as leis, “quanto menos o povinho souber como são feitas as salsichas e as leis, mais dormirá tranqüilo”, menos vontade temos de ver leis sendo endurecidas, já que, contra a violência temos o Estado, mas contra um Estado violento, não nos restam alternativas.

Ronaldo de Castro Garcia

Artista Plático formado pela Escola Guignard UEMG / Bacharelando em Direito pela Universidade Fumec/ Estagiario do Tribunal de Justiça de Minas Gerais/ Conciliador Voluntário no Juizado Especial Criminal em Belo Horizonte.

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